Cinemateca do MAM e Centro Cultural Banco do Brasil

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A Cinemateca do MAM e o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro apresentam uma parceria de programação dedicada ao mundo do cinema em todas as suas épocas, origens, gêneros e expressões. Desde outubro, a Cinemateca exibe parte de seu acervo em mostras que ocupam o Cinema I do CCBB RJ.

A Cinemateca do MAM e o CCBB-RJ mantêm laços de colaboração desde os anos 1990, sob as formas de parcerias, projeção de filmes, empréstimos de cópias, programações conjuntas e consultorias, além do trabalho de duplicação e restauração de filmes brasileiros, que contribui para a permanência da memória do audiovisual nacional. 

Em 2024, o CCBB doou seu acervo em VHS para a Cinemateca, uma coleção de aproximadamente 1.700 títulos, que abrange filmes de grande relevância na história do cinema, tanto nacional como estrangeiro, estreitando ainda mais os laços de parceria e intercâmbio com o MAM, importante equipamento cultural da cidade. A parceria inclui também a doação de catálogos das mostras de cinema realizadas no CCBB, para incorporação ao acervo da Cinemateca.

No Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro 
Rua Primeiro de Março 66, Centro   
Sala de Cinema 2, 50 lugares   

Ingressos gratuitos, disponibilizados às 9h do dia da sessão na bilheteria física ou no site.

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ABRIL 2025

Tempos de globalização
Processo histórico de expansão e troca de bens, capital e conhecimento que ganhou força a partir do fim do Bloco Soviético, a globalização se potencializa com a introdução da web, e com a reinvenção do mercado financeiro e seus novos produtos. Cobrindo os últimos 45 anos, mas com reflexos da colonização europeia, a globalização contemporânea é marcada pelo aumento do comércio, das transações financeiras, das grandes corporações, da imigração, da crise climática, e da extinção de espécies da fauna e da flora.. De forma ampla, complexa e multifacetada, globalização é o conjunto de fenômenos, comportamentos, deslocamentos, crenças e ameaças que compõem a nova percepção do tempo e do espaço planetários. O tema será explorado na mostra Tempos de globalização através de 22 produções audiovisuais, em sua maioria produzidas no século 21. O próprio cinema, uma invenção moderna, foi transformado pelo processo de globalização, com o aumento expressivo do circuito de festivais e das co-produções entre diferentes cinematografias, de um lado, e do crescente domínio corporativo do circuito exibidor em escala global, base para a exploração de blockbusters e para a concepção de um hipotético espectador “médio”. Os filmes aqui reunidos procuram perceber e reagir às consequências dessas transformações, ora pela via do humor ou da análise, ora pela via do desencontro, da estupefação, do torpor, da denúncia ou da crítica política. A exibição do clássico maior de Wang Bing, A oeste dos trilhos, está proposto ao longo de dois dias, caso o espectador se sinta mais confortável em assisti-lo por partes. Os segmentos mais longos terão um pequeno intervalo.

O cinema vindo de Łódź
A cidade polonesa de Łódź abriga a Escola Nacional de Cinema e Teatro Leon Schiller, berço da primeira grande geração de cineastas poloneses do pós-Segunda Guerra Mundial. Conhecida simplesmente como Escola de Cinema de Łódź, o centro educacional foi criado em março de 1948, por iniciativa de Jerzy Toeplitz. Passaram pelo curso de direção cinematográfica nomes como Andrzej Wajda, Andrzej Munk, Jerzy Kawalerowicz, Janusz Morgenstern e Roman Polanski, integrantes da chamada Escola Polonesa de Cinema. E nos anos 1960, Jerzy Skolimovski, Krzysztof Zanussi e Krzysztof Kieslowski, associados ao chamado Cinema da Ansiedade Moral. Morgenstern foi responsável no final dos anos 50 pela implantação do curso de cinematografia, que se tornará igualmente famoso através do trabalho de diretores de fotografia como Sławomir Idziak (Não matarás, de Kieslowski) e Łukasz Żal (Zona de Interesse, de Glazer), para citar alguns nomes contemporâneos. A distintiva qualidade de ensino, porém, é apenas um dos componentes da arte emanada de Łódź. A cidade, que fica a 120km de Varsóvia, foi um grande centro industrial têxtil na virada para o século XX, assim como berço do socialismo polonês. Teve também a primeira sala de cinema fixa do país, e várias instituições artístico-culturais a partir da década de 1930. Além de Cracóvia, foi a única cidade de grande porte que não virou escombros na Segunda Guerra Mundial, hospedando provisoriamente a capital federal a partir de 1945, durante a reconstrução de Varsóvia. A tradição artística, boêmia e libertária de Łódź se manteve em certa medida após a adesão da Polônia ao Bloco Soviético, e floresceu a partir de 1956 com os protestos de Poznań. A esta altura a Escola de Cinema tinha se transformado no epicentro cultural da cidade e do país, pelo acesso à cultura estrangeira ocidental (filmes, discos, jornais), pela formação de grupos artísticos (dois alunos de cinematografia criaram o grupo de jazz Hot Club Melomani, por exemplo) e pelas sessões no cinema. A primeira geração egressa da Escola de Łódź rejeita categoricamente os preceitos estéticos, políticos e ideológicos do Realismo Socialista Soviético, salientando os desejos do indivíduo frente aos do coletivo, abrindo-se para a descoberta do mundo, para a condição jovem e para a ironia em relação ao oficialismo de Estado, à religião e à história polonesa. Com o retrocesso instaurado pela ascensão de Leonid Brejnev na URSS em 1964, vários cineastas acabam partindo para o exílio e construíram carreiras em outros países. O legado da Escola é preservado em grande medida por Wojciech Has, que frequentou e absorveu o clima da instituição nos anos 1950, tornando-se mais tarde professor e reitor. O ciclo dedicado aos diretores egressos de Łódź, escola e cidade, procura ressaltar, mais do que o estilo de um ou outro diretor, ou os traços recorrentes do período, justamente a atmosfera de alegria, liberdade, experimentação e jovialidade no enfrentamento de uma herança histórico-cultural milenar.

Zé Umberto: todos os suportes
Sergipano de Boquim, o cineasta José Umberto Dias ainda criança foi para Feira de Santana, no interior da Bahia, chegando a Salvador em 1965. A primeira geração do cinema baiano, formada por Alexandre Robatto Filho, Luís Paulino dos Santos, Roberto Pires, Oscar Santana, Glauber Rocha e Olney São Paulo já havia se dispersado, quase estavam no Rio de Janeiro. E o influxo criativo dos cursos de música, teatro e artes da Universidade da Bahia estava arrefecendo com o golpe de Estado de 1964. Mesmo assim, Zé Umberto, como viria a ser conhecido, começou a frequentar o Clube de Cinema da Bahia, conduzido por Walter da Silveira. Cursando Ciências Sociais na UFBA, inicia no Super-8 com o curta O forte (1967), um dos primeiros ensaios não domésticos da nova bitola no país. Inscreve-se, no ano seguinte, no curso de extensão do Grupo Experimental de Cinema, ministrado por Silveira e Guido Araújo, onde literalmente encontra sua turma, a geração de 1968. Com o colega André Luiz Oliveira passa ao 16mm. Também inscreve no festival o curta Preâmbulo. Junto com André, Orlando Senna, José Frazão e Álvaro Guimarães, volta seu cinema contra a “tradicional família baiana”, como em Meteorango Kid. Na mesma linha dirige um terceiro curta 16mm, Vôo interrompido. Após se formar no começo dos anos 1970, dirige o quarto e último longa metragem do pequeno ciclo geracional, O anjo negro (1972). Filme marcante pela introdução de um protagonismo e perspectiva religiosa afro-brasileira, pela presença do ator negro Mário Gusmão no papel principal, e ponte entre as gerações mais antigas e o futuro cinema baiano. Zé Umberto continua desenvolvendo um cinema que intercala a bitola 35mm com o manejo do Super-8 e do 16mm, e incorpora vários formatos analógicos e digitais do suporte videomagnético a partir dos anos 1990. Em paralelo, fotografa, monta, roteiriza e participa de boa parte da filmografia baiana do período, com uma incursão pela televisão pública a partir dos anos 1980. Já no século 21 torna-se um dos últimos cineastas brasileiros a lançar um longa metragem em 35mm, com Revoada (2004-2008), recentemente relançado em suporte digital como Revoada – Última vingança do cangaço (2024), em versão final do diretor. Ecoando traços do western à brasileira, em particular do Nordestern, tema do ciclo apresentado no mês passado, o filme dá continuidade ao interesse do cineasta pelo fenômeno do cangaço, sendo o primeiro a realçar a participação da mulher nos diversos grupos, destacando a figura de Dadá, a quem dedicou um romance homônimo (1978) e um importante curta, A musa do cangaço (1982). Revoada fechará o ciclo em exibição 4K na sala da Cinemateca do MAM. Zé Umberto desenvolveu ainda importante trabalho memorialístico e de pesquisa em torno do cinema baiano, através de textos biográficos, compilações e cinebiografias.

QUA 2 ABR . 18h
Tempos de globalização. Hienas (Hyenès), de Djibril Diop Mambéty. Senegal/França/Suíça/Reino Unido/Itália, 1992. Com Mansour Diof, Ami Diakhate e Mamadou Mahourédia Gueye. 110’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 3 ABR . 18h
Tempos de globalização.Zama, de Lucrecia Martel. Argentina/Brasil/Espanha/República Dominicana/França/Países Baixos/México/Suiça/EUA/Portugal/Líbano, 2017.  Com Daniel Giménez Cacho, Lola Dueñas e Matheus Nachtergaele. 115’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 4 ABR . 18h
Tempos de globalização. Que horas são aí? (英語 – Nina bian ji dian / What time is it there?), de Tsai Ming-Liang. República da China/França, 2001. Com Kang-sheng Lee, Chiang-chyi Chen e Yi-ching Lu. 116’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos.

SAB 5 ABR . 11h
Tempos de globalização. Vontade indômita (The fountainhead), de King Vidor. EUA, 1949. Com Gary Cooper, Patricia Neal e Raymond Massey. 114’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. 

SAB 5 ABR . 15h
Tempos de globalização, O banqueiro: Mestre do Universo (Der banker: Master of the Universe), de Marc Bauder. Áustria/Alemanha, 2013. Documentário. Com Rainer Voss. 88’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos. 

SAB 5 ABR . 17h
Tempos de globalização. As faces de Toni Erdmann (Toni Erdmann), de Maren Ade. Alemanha/Áustria/Mônaco/Roimênia/França/Suiça/Bélgica, 2016. Com Sandra Hüller, Peter Simonischek e Michael Wittenborn. 162’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos. 

DOM 6 ABR . 11h
Tempos de globalização. Amor sem escalas (Up in the air), de Jason Reitman. EUA, 2009. Com George Clooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick. 109’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 12 anos. 

DOM 6 ABR . 15h
Tempos de globalização. A comédia do poder (L’ivresse du pouvoir), de Claude Chabrol. França/Alemanha, 2006. Com Isabelle Huppert, François Berléand e Patrick Bruel. 110’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos. 

DOM 6 ABR . 17h
Tempos de globalização. A viagem (Cloud atlas), de Tom Tykwer, Lana e Lilly Wachowski. EUA/Alemanha/HongKong/Singapura/China/Reino Unido/Espanha, 2012. Com Tom Hanks, Halle Berry e Hugh Grant. 172’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos. 

QUA 9 ABR . 18h
Tempos de globalização. O segredo de Oz (The secret of Oz), de Bill Still. EUA, 2009. Documentário. Com Bill Still. 115’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. 

QUI 10 ABR . 18h
Tempos de globalização. Tropas estelares (Starship troopers), de Paul Verhooven. EUA, 1997. Com Casper von Dien,  Denise Richards e Dina Meyer. 129’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos.

SEX 11 ABR . 18h
Tempos de globalização. Estou me guardando para quando o carnaval chegar, de Marcelo Gomes. Brasil, 2019. Documentário. Com Leonardo dos Santos, Francielly e Velho do Ouro. 85’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. 

SAB 12 ABR, 11h
Tempos de globalização. Coisa belas e sujas (Dirty pretty things), de Stephen Frears. Reino Unido/EUA, 2002. Com Chiwetel Ejiofor, Audrey Tatou e Sophie Okonedo. 97’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos. 

SAB 12 ABR . 14h
Tempos de globalização. Encontros e desencontros (Lost in translation), de Sofia Coppola. EUA, 2003. Com Bill Murray, Scarlett Johansson e Givanni Ribisi. 102’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos.

SAB 12 ABR . 16h
Tempos de globalização. Um elefante sentado quieto (Da xiang xidi erzuo), de Bo Hu. China, 2018. Com Zhang Yu, Yuchang Peng e Uvin Wang. 230’.  Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos. 

DOM 13 ABR . 11h
Tempos de globalização. Esposa Troféu (Potiche), de François Ozon. França, 2010. Com Catherine Deneuve, Gérard Depardieu e Fabrice Luchini. 103’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 12 anos.

DOM 13 ABR . 15h
Tempos de globalização. 5 fábricas (5 Fabriken – Arbeiterkontrolle in Venezuela / 5 factories – Worker control in Venezuela), de Dario Azzellini e Oliver Rossler. Alemanha/EUA, 2006. Documentário. 81’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos. 

DOM 13 ABR . 17h
Tempos de globalização. A fábrica de nada, de Pedro Pinho. Portugal, 2017. Com José Smith Vargas, Carla Galvão e Njamy Sebastião. 177’. Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos. 

SEG 14 ABR . 18h
Tempos de globalização. Sobreviver na América (Nomadland), de Chloé Zhao. EUA, 2020. Com Frances McDormand, David Strathairn e Linda May. 107’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 12 anos.

QUA 16 ABR . 18h
Tempos de globalização. O céu de Suely, de Karim Aïnouz. Brasil, 2006. Com Hermila Guedes, Maria Menezes e Zezita Matos. 90’. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos.

QUI 17 ABR . 18h
Tempos de globalização. Forte (泉 / Izumi), de Masaki Kobayashi. Japaão, 1956. Com Ineko Arima, Keiji Sada e Yôko Katsuragi. 129’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. Com intervalo de 10 minutos.

SEX 18 ABR . 10h
Tempos de globalização. A oeste dos trilhos (铁西区, Tiě xī qū) – Parte 1: Fábrica (工廠, gōngchǎng) de Wang Bing. China/Países Baixos, 2002. Documentário. 243’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. Com intervalo de 10 minutos.

SEX 18 ABR . 15h
Tempos de globalização. A oeste dos trilhos (铁西区, Tiě xī qū) – Parte 2: Rua Yanfen (艳粉街, 工工Yànfěn Jiē) de Wang Bing. China, 2002. Documentário. 180’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. Com intervalo de 10 minutos.

SEX 18 ABR . 18h30
Tempos de globalização. A oeste dos trilhos (铁西区, Tiě xī qū) – Parte 3: Trilhos (铁路, 工工工tiělù) de Wang Bing. China, 2002. Documentário. 133’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos.

SAB 19 ABR . 14h
O cinema vindo de Łódź. Barreira (Bariera), de Jerzy Skolimowski. Polônia, 1966. Com Joanna Szezerbic, Jan Nowicki e Tadeusz Lomnicki. 77’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos.

SAB 19 ABR . 16h 
O cinema vindo de Łódź. Eva quer dormir (Ewa chce spac), de Tadeusz Chmielewski. Polônia, 1958. Com Tadeusz Chmielewski, Andrzej Czekalski e Jeremi Przybora. 95’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. 

SAB 19 ABR . 17h30
O cinema vindo de Łódź. Faraó (Faraon), de Jerzy Kawalerowicz.Polônia, 1966. Com Jerzy Zelnik, Wieslawa Mazurkiewicz e Barabra Brylska. 151’. Legendas em português, Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos.

DOM 20 ABR . 11h
O cinema vindo de Łódź. Nossos camaradas (Sami swoi), de Sylkwester Checinski. Polônia, 1967. Com Waclav Kowalski, Wladyslaw Hancza e Zdzislaw Karczewski. 81’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

DOM 20 ABR . 14h
O cinema vindo de Łódź. Vejo você amanhã (Do widzenia, do jutra…), de Janusz Morgenstern. Polônia, 1960. Com Zbigniew Cybulski, Teresa Tuszynska e Grazina Muszynska. 88’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

DOM 20 ABR . 16h
O cinema vindo de Łódź. O manuscrito de Saragoça (Rekopis znaleziony w Saragossie), de Wojciech Has. Polônia, 1965. Com Zbigniew Cybulski, Iga Cembrzynska e  Elzbieta Czyzewska. 182’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos.

SEG 21 ABR . 10h
Tempos de globalização. A oeste dos trilhos (铁西区, Tiě xī qū) – Parte 1: Fábrica (工廠, gōngchǎng) de Wang Bing. China, 2002. Documentário. 243’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. Com intervalo de 10 minutos.

SEG 21 ABR . 15h
Tempos de globalização. A oeste dos trilhos (铁西区, Tiě xī qū) – Parte 2: Rua Yanfen (艳粉街, 工工Yànfěn Jiē) de Wang Bing. China, 2002. Documentário. 180’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos. Com intervalo de 10 minutos.

SEG 21 ABR . 18h30
Tempos de globalização. A oeste dos trilhos (铁西区, Tiě xī qū) – Parte 3: Trilhos (铁路, 工工工tiělù) de Wang Bing. China, 2002. Documentário. 133’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos.

QUA 23 ABR . 18h
O cinema vindo de Łódź. Madre Joana dos Anjos (Matka Joanna ad Anniólow), de Jerzy Kawalerowicz. Polônia, 1961. Lucynna Winnicka, Mieczyslav Voit e Anna Ciepielewska. 110’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos.

QUI 24 ABR . 18h
O cinema vindo de Łódź. Faca na água (Nóz w wodzie), de Roman Polanski. Polônia, 1962. Com Leon Miemczyk, Jolanta Umecka e Zygmunt Malanowicz. 94’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos.

SEX 25 ABR . 18h
O cinema vindo de Łódź. Certidão de nascimento (Świadectwo urodzenia), de Stanisław Różewicz. Polônia, 1961. Com Henryk Hryniewicz, Beata Barszczewska e Andrzej Banaszewski. 99’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 16 anos.

SAB 26 ABR . 11h
Boi Aruá, de Chico Liberato. Brasil, 1984. Versão restaurada. Animação. Com as vozes de Seu Nô, Ana do Rosário, Alípio Simões, Viriato e Dona Durvalina. 59’. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

SAB 26 ABR . 15h
Zé Umberto: todos os suportes. Super 8:  Urubu, de José Umberto Dias e Robinson Roberto. Brasil, 1977. Documentário. 16’. + Brabeza, de José Umberto Dias e Robson Roberto. Brasil, 1978. Com Márcia Cristina, José Umberto Dias e Marcos Sergipe. 20’. + Glub – História de um Espanto + Maíra,  de José Umberto Dias e Robson Roberto. Brasil, 1980. Com José Umberto Dias, Márcia Cristina e Maíra. 9’. Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 27 ABR . 11h
Ritos de passagem, de Chico Liberato. Brasil, 2012. Animação. Com as vozes de Jackson Costa, Ingra Lyberato e Olney São Paulo Filho. 93’. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

DOM 27 ABR . 14h
Zé Umberto: todos os suportes. Vídeo 1: Boquim – Terra da Laranja, de José Umberto Dias. Brasil, 1991. Documentário. 41’. + Monte Santo – O Caminho da Santa Cruz, de José Umberto Dias. Brasil, 1997. Documentário. 52’. + O Povo do Carnaval, José Umberto Dias. Brasil, 2001. Documentário. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

DOM 27 ABR . 16h
Zé Umberto: todos os suportes. Vídeo 2: Milton Gaúcho – ator baiano. Brasil, 1992. Documentário. 54’. + Rex Schindler – produtor baiano. Brasil, 1994. Documentário. 52’. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

DOM 27 ABR . 18h
Zé Umberto: todos os suportes. Curtas 35mm: Sertão, de José Umberto Dias.  Brasil, 1980. Com Lênio Braga. 11’. + Cantos flutuantes, de José Umberto Dias. Brasil, 1980. Documentário. 12’. + A Musa do Cangaço, de José Umberto Dias. Brasil, 1982. Com Dadá (Sérgia Ribeiro da Silva). 17’. + Lua violada, de José Umberto Dias. Brasil, 2002. Com Igor Marcelame, Gilson dos Santos Assis e Deusi Magalhães. 21’. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

SEG 28 ABR . 17h
Zé Umberto: todos os suportes. Vídeo 3: Memória em película – A Bahia e o Estado Novo, de José Umberto Dias. Brasil, 1995. Documentário. 92’. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

SEG 28 ABR . 18h
O cinema vindo de Łódź. Tudo à venda (Wszystko na sprzedaz), de Andrzej Wajda. Polônia, 1969. Com Beata Tyszkiewicz, Elzbieta Czyzewska e Andrzej Lapicki. 105’. + Bem-vindo Kirk (Welcome Kirk, a.k.a. Kirk Douglas), de Feridun Erol e Marek Piwowski. Polônia, 1966. Filme estudantil sobre a visita do ator à Escola de Cinema de Łódź. 10’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 14 anos.

QUA 30 ABR . 17h
Zé Umberto: todos os suportes. Vídeo 4: Salvador em película – um século de memória, de José Umberto Dias. Brasil, 1999. Documentário. 50’. Exibição em MP4. Classificação indicativa Livre.

QUA 30 ABR . 18h
O vale fechado (La valée close), de Jean-Claude Rousseau. França, 1995. Experimental. 145’. Legendas em português. Exibição em MP4. Classificação indicativa 10 anos.

MARÇO 2025

Outras paisagens: western à brasileira e à francesa
O western, conhecido em sua versão brasileira como “nordestern”, “western feijoada” e “faroeste caboclo”, e ao redor do mundo como “western camembert”, “spaghetti”, “kim-chi” e “sauerkraut”, tem longa tradição literária, cinematográfica e nos quadrinhos, além de sua consolidação em Hollywood. As histórias do gênero coincidem em grande medida com narrativas mitológicas de conquistas territoriais e expansão de fronteiras, e a posterior contestação, denúncia ou crítica a essas narrativas pelo cinema moderno e contemporâneo. A mostra Outras paisagens: western à brasileira e à francesa apresenta um pequeno conjunto de filmes que antecipam, dialogam ou reinventam a tradição do gênero hollywoodiano, ora referenciando-o diretamente, ora deslocando-o para novas paisagens, questões e culturas locais. Como cinematografias que reivindicam uma identidade própria, a brasileira e a francesa desenvolvem tradições distintas do gênero, mas com conexões históricas, estéticas e políticas significativas.

QUI 6 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Joë Hamman, o francês que inventou o western (Joe Hamman, le français qui inventa le western), de Vincent Froehly. França, 2014. Documentário. 52’. + Cem dólares vivo ou morto (Cent dollars vif ou mort), de Jean Durand. França, 1912. Com Joë Hamman, Gaston Modot e Berthe Dagmar. 14’. Classificação indicativa livre.

SEX 7 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Brasil/França, 2019. Com Silvero Pereira, Bárbara Colen, Udo Kier, Sonia Braga e Karine Telles. 139’. Classificação indicativa 16 anos.

SÁB 8 MAR . 11h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Calamidade (Calamity, une enfance de Martha Jane Cannary), de Rémi Chayé. França/Dinamarca, 2020. Animação narrada por Salomé Boulvan. 85’. Classificação indicativa livre.

SÁB 8 MAR . 14h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Nordeste sangrento, de Wilson Silva. Brasil, 1962. Com Jacy Campos, Leovigildo Cordeiro e Jackson de Souza. 72’. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 8 MAR . 16h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. A morte comanda o cangaço, de Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta (não creditado). Brasil, 1960. Com Alberto Ruschel. Aurora Duarte e Milton Ribeiro. 100’. Classificação indicativa 16 anos.

SÁB 8 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Não toque na mulher branca! (Touche pas à la femme blanche!), de Marco Ferreri. França/Itália, 1974. Com Marcello Mastroianni, Catherine Deneuve e Michel Piccoli. 108’. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 9 MAR . 11h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Matar ou correr, de Carlos Manga. Brasil, 1955. Com Oscarito, Grande Otelo, José Lewgoy, John Herbert e Inalda de Carvalho. 87’. Classificação indicativa livre.

DOM  9 MAR . 15h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. O vento do leste (Le vent d’est), de Grupo Dziga Vertov (Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Gorin e Gérard Martin). França/Itália/Alemanha Ocidental, 1970. Com Gian Maria Volontè, Anne Wiazemsky, Cristiana Tullio-Altan e Glauber Rocha. 95’. Classificação indicativa 16 anos.

DOM 9 MAR . 17h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. O dragão da maldade contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha. Brasil/França/Alemanha Ocidental, 1968. Com Maurício do Valle, Odete Lara, Othon Bastos e Hugo Carvana. 99’. Classificação indicativa 14 anos.

SEG 10 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Mini-Curso “Nordestern, o western brasileiro”. Exame do ciclo de filmes brasileiros que giram em torno do cangaço e do banditismo rural, realizados inicialmente em São Paulo e nas últimas décadas na região Nordeste, ministrado por Hernani Heffner, gerente da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner. Inscrições meia hora antes, por ordem de chegada, até a lotação da sala.

QUA 12 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Uma aventura de Billy The Kid (Une aventure de Billy le Kid), de Luc Moullet. França, 1971. Com Jean-Pierre Léaud, Marie-Christine Questerbert e Jean Valmont. 100’. Classificação indicativa 16 anos.

QUI 13 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Viva Maria!, de Louis Malle. França/Itália, 1965. Com Brigitte Bardot, Jeanne Moureau e George Hamilton. 120’. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 14 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Baile perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas. Brasil, 1996. Com Duda Mamberti, Luis Carlos Vasconcelos, Aramis Trindade, Chico Díaz e Jofre Soares. 93’. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 15 MAR . 11h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Todos para o Oeste – Uma aventura de Lucky Luke (Tous à l’Ouest – Une aventure de Lucky Luke), de Olivier Jean-Marie. França, 2007. Animação com as vozes de Lambert Wilson, Clovis Cornillac e François Morel. 90’. Classificação indicativa livre.

SÁB 15 MAR . 14h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Meu nome é Lampião, de Mozael Silveira. Brasil, 1969. Com Milton Ribeiro, Rejane Medeiros e Milton Rodrigues. 90’. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 15 MAR . 16h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Jesuit Joe, de Olivier Austen. França, 1991. Com Peter Tarter, John Walsh e Laurence Treil. 100’. Classificação indicativa 16 anos.

SÁB 15 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Corisco & Dadá, de Rosemberg Cariry. Brasil, 1996. Com Chico Díaz, Dira Paes e Chico Alves. 112’. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 16 MAR . 11h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. No tempo dos bravos, de Wilson Silva. Brasil, 1965. Com Roberto Almeida, Elizabeth Botelho e Walter Calazza. 78’. Classificação indicativa livre.

DOM 16 MAR . 15h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Serenata no Texas (Serenade au Texas), de Richard Pottier. França, 1958. Com Luis Mariano, Bourvil e Germaine Damar. 98’. Classificação indicativa livre.

DOM 16 MAR . 17h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Réquiem por Billy The Kid (Requiem pour Billy the Kid), de Anne Feinsilber. França/Estados Unidos, 2006. Com Arthur H. e Kris Kristofferson. 90’. Classificação indicativa 14 anos.

SEG 17 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Mini-Curso “Nordestern, o western brasileiro”.  Exame do ciclo de filmes brasileiros que giram em torno do cangaço e do banditismo rural, realizados inicialmente em São Paulo e nas últimas décadas na região Nordeste, ministrado por Hernani Heffner, gerente da Cinemateca do MAM. Inscrições meia hora antes, por ordem de chegada, até a lotação da sala.

QUA 26 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Cemitério sem cruzes (Une cord… un colt), de Robert Hossein. França/Itália, 1969. Com Michèle Mercier, Robert Hossein e Guido Lollobrigida. 90’. Classificação indicativa 16 anos.

QUI 27 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Sertânia, de Geraldo Sarno. Brasil, 2018. Com Vertin Moura, Julio Adrião e Kecia Prado. 97’. Prêmio Guarani de Melhor Filme de 2020. Classificação indicativa 12 anos.

SEX 28 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Os irmãos Sister (Les frères Sisters/The Sisters Brothers), de Jacques Audiard. França/Espanha/Romênia/Bélgica/Estados Unidos, 2018. Com John C. Reilly, Joaquim Phoenix e Jake Gyllenhaal. 122’. Classificação indicativa 16 anos.

SAB 29 MAR . 11h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. O lamparina, de Glauco Mirko Laurelli. Brasil, 1964. Com Amácio Mazzaropi, Geny Prado e Manoel Vieira. 83’. Classificação indicativa livre.

SAB 29 MAR . 15h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Entre irmãs, de Breno Silveira. Brasil, 2016. Com Nanda Costa, Marjorie Estiano e Julio Machado. 160’. Classificação indicativa 14 anos.

SAB 29 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Blueberry – Desejo de vingança (Blueberry, l’expérience secrète/Renegade), de Jan Kounen. França/Reino Unido/México, 2005. Com Vincent Cassel, Michael Madsen e Juliette Lewis. 124’. Classificação indicativa 18 anos.

DOM 30 MAR . 11h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Dynamite Jack, de Jean Bastia. França/Itália, 1961. Com Fernandel, Eleonora Vargas e Lucien Raimbourg. 103’.  Classificação indicativa livre.

DOM 30 MAR . 14h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. A luneta do tempo, de Alceu Valença. Brasil, 2014. Com Irandhir Santos, Hermila Guedes e Alceu Valença. 99’. Classificação indicativa 10 anos.

DOM 30 MAR . 16h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Haceldama (Haceldama ou le prix du sang), de Julien Duvivier. França, 1919. Com Suzy Lilé, Camille Bert e Séverin-Mars. 75’. + O amor maior de um homem (Greater love hath no man), de Alexander Butler e Alice Guy. Estados Unidos, 1911. Com Romaine Fielding, Vinnie Burns e Ed Brady. 16’. Classificação indicativa 10 anos.

DOM 30 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. O cangaceiro, de Lima Barreto. Brasil, 1953. Com Alberto Ruschel, Marisa Prado e Milton Ribeiro. 105’. Classificação indicativa 14 anos.

SEG 31 MAR . 18h
Outras paisagens: western à brasileira e à francesa. Índios e vaqueiros (Indiens et cow-boys), de diretor não-identificado. França, 1904. Elenco não-identificado. 7’. + Faroeste: um autêntico western, de Wesley Rodrigues. Brasil, 2013. Animação com as vozes de Sandro Freitas, Éverson Cândido e Izabelle Eleonora. 18’. Sessão seguida de bate-papo em torno do western no Brasil e no mundo.

FEVEREIRO 2025

Homenagem a David Lynch
Cineasta, pintor e compositor musical, David Lynch (1946-2025) estabeleceu novas relações entre cinema e televisão. Criou um imaginário visual em que a pureza da pequena cidade estadunidense dos anos 1950 contrasta com a violência que vem dela mesma. Seu primeiro grande projeto foi Eraserhead (1977), um filme experimental sobre ansiedade paterna. O sucesso artístico do filme permitiu que ele fizesse em seguida seu primeiro longa hollywoodiano: O homem elefante (1982), que acabou indicado a oito Oscars. É Veludo azul (1986), no entanto, que dá facetas definitivas ao estilo de Lynch, incorporando a seu cinema elementos do noir e do suspense hitchcockiano. Junto com o roteirista Mark Frost, Lynch adapta sua visão de mundo para a TV na série Twin Peaks (1990-91), que, por trás da intriga do whodunnit, criava um universo perturbador, atmosférico e denso. No mesmo ano da série, Coração selvagem (1990) ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Estrada perdida (1997) e Cidade dos sonhos (2001) surpreendem os espectadores ao afirmar a autonomia da cena em relação à trama, criando um universo que ultrapassa a lógica linear. A trama passa a ser pretexto para figuras oníricas e surreais. Twin Peaks: O retorno, de 2017, carrega essa radicalização para a TV e novamente Lynch impressiona produzindo uma obra fragmentada e vanguardista que encanta tanto quanto desorienta. Hoje, o termo lynchiano se estende do cinema às artes visuais.

O cinema da cortina de ferro
Há 80 anos, após o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo assistiu à constituição de dois grandes blocos geopolíticos na Europa: um bloco ocidental, de tendência capitalista, e em um bloco oriental, de orientação socialista. “Cortina de ferro” era um termo pejorativo, popularizado por um discurso de Winston Churchill, para simbolizar o isolamento do Bloco Socialista em sua tentativa de minimizar a influência da ideologia capitalista e modelar novas experiências de sociedade. 

O período pós-Guerra, de 1945 até 1989, produziu cinematografias vibrantes e singulares. Misturavam-se os esforços de consolidação de uma sociedade mais igualitária à reescrita da História a partir de outras bases. A partir dos anos 1960, experiências formais importantes renovaram a linguagem cinematográfica, unindo análises das contradições sociais dos Estados socialistas a, principalmente na década final do período, críticas diretas aos modelos políticos e sociais desses países e do bloco como um todo. 

O cinema da cortina de ferro apresenta 25 filmes das principais cinematografias dos países do Bloco Socialista – União Soviética, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria e Romênia –, oportunizando comparações entre países e épocas. Com a mostra, o público do Rio de Janeiro poderá ver ou rever filmes assinados por cineastas como Andrei Tarkovski, Vera Chytilová, Jerzy Skolimowski, Miklós Jancsó, Larissa Shepitko, Krzysztof Kieslowski, Sergei Paradjanov, Milos Forman, Andrzej Wajda, entre outros. 

A mostra conta com filmes premiados em grandes festivais europeus: Cannes, Veneza e Berlim. A eles se juntam trabalhos pouco vistos à época pelo Ocidente, mas que hoje, em revisão histórica, assumem lugar importante no cinema do período, como os de Otar Iosseliani, Yuliya Solntseva, Lucian Pintilie e Krzysztof Zanussi.

Incontornáveis
Chamamos de incontornável aqueles diretores e diretoras, filmes e cinematografias essenciais à compreensão do cinema como arte, linguagem e história. São filmes e cineastas que precisam ser periodicamente exibidos e vistos em sala de cinema. Entre os incontornáveis de fevereiro, teremos o minimalismo de Jean-Pierre Melville e sua obra-prima O samurai, com grande atuação de Alain Delon; Ladrões de alcova, uma comédia licenciosa de Ernst Lubitsch; e um grande realizador muitas vezes eclipsado por seu trabalho como ator, Paul Newman, que dirige sua esposa Susan Hayward em O preço da solidão.

Aconteceu 100 anos atrás
A Cinemateca do MAM mantém viva a memória do cinema em todas as suas épocas, oferecendo aos seus frequentadores a chance de conhecer mais profundamente o panorama do que acontecia no passado nas telas do mundo, dos grandes clássicos até filmes de menor notoriedade, mas de importância histórica. Começaremos 2025 com um dos maiores autores do cinema americano silencioso, Frank Borzage – primeiro vencedor do Oscar de Melhor Direção, em 1927, por Sétimo céu –, e seu A mulher do outro, adaptação de uma peça teatral de W. Somerset Maugham.

Gêneros ao redor do mundo
Comédia, film noir, musical, giallo, artes marciais, melodrama, faroeste e mais! Os gêneros cinematográficos são o atestado de uma comunicação eficiente entre a indústria e o público, transitando entre motivos recorrentes e a necessidade de constante reinvenção. Começaremos o novo ano no Japão dos anos 1970 com Lady Snowblood, um dos filmes de vingança feminina – gênero global, não só japonês – mais celebrados pelos fãs do filão, e influência principal de diversas obras marcantes que vieram depois, em especial Kill Bill (2003), de Quentin Tarantino.

SÁB 1 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. Cinzas e diamantes (Popiól i diament), de Andrzej Wajda (Polônia, 1958). Com Zbigniew Cybulski, Ewa Krzyżewska, Waclaw Zastrzeżyński. 103’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

SÁB 1 FEV . 17h
Homenagem a David Lynch. “The Answers to the Questions”, de David Lynch. EUA, 2024. Com Chrystabell. Videoclipe. 6’. + Cidade dos sonhos (Mulholland Dr.), de David Lynch. EUA/França, 2001. Com Naomi Watts, Laura Elena Harring, Justin Theroux. 147’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos. Cinema 2.

SÁB 1 FEV . 18h20
O cinema da cortina de ferro. Quando voam as cegonhas (Letyat zhuravli), de Mikhail Kalatozov. União Soviética, 1957. Com Tatiana Samoilova, Aleksei Batalov, Vassili Merkuriev. 95’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

DOM 2 FEV . 15h50
Homenagem a David Lynch. Twin Peaks (Twin Peaks), episódio 1: Piloto (Pilot), de David Lynch. EUA, 1989. Com Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Sherilyn Fenn. 94’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

DOM 2 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. Os sem esperança (Szegénylegények), de Miklós Jancsó (Hungria, 1966). Com János Görbe, Zoltán Latinovits, Tibor Molnár. 90’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

DOM 2 FEV . 17h50
O cinema da cortina de ferro. Hamlet (Gamlet), de Grigori Kozintsev. União Soviética, 1964. Com Innokenti Smoktunovski, Mikhail Nazvanov, Elza Radzina. 140’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 1.

DOM 2 FEV . 18h
Homenagem a David Lynch. Twin Peaks: o retorno (Twin Peaks: The Return), episódio 8: Parte 8 (Part 8), de David Lynch. EUA, 2017. Com Frank Silva, Kyle MacLachlan, Joy Nash. 60’. + episódio 18: Parte 18 (Part 18), de David Lynch. EUA, 2017. Com Kyle MacLachlan, Sheryl Lee, Naomi Watts. 58’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos. Cinema 2.

SEG 3 FEV . 16h
Homenagem a David Lynch. Veludo azul (Blue Velvet), de David Lynch. EUA, 1986. Com Kyle McLachlan, Isabella Rossellini, Dennis Hopper, Laura Dern. 120’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos. Cinema 1.

SEG 3 FEV . 18h30
Homenagem a David Lynch. Estrada perdida (Lost Highway), de David Lynch. EUA, 1997. Com Bill Pullman, Patricia Arquette. 134’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

QUA 5 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. O baile dos bombeiros (Horzhí, má panenko), de Milos Forman. Tchecoslováquia, 1967. Com Jan Vostrčil, Josef Sebánek, Frantisek Debelka. 73’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 2.

QUI 6 FEV . 15h50
Homenagem a David Lynch. Estrada perdida (Lost Highway), de David Lynch. EUA, 1997. Com Bill Pullman, Patricia Arquette, Balthazar Getty. 134’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

QUI 6 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. Poema do mar (Poema o more), de Yuliya Solntseva. União Soviética, 1958. Com Boris Livanov, Boris Andreiev, Zinaida Kirienko. 95’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 2.

QUI 6 FEV . 18h30
Homenagem a David Lynch. Veludo azul (Blue Velvet), de David Lynch. EUA, 1986. Com Kyle McLachlan, Isabella Rossellini, Dennis Hopper, Laura Dern. 120’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos. Cinema 1.

SEX 7 FEV . 16h
Homenagem a David Lynch. Twin Peaks: o retorno (Twin Peaks: The Return), episódio 8: Parte 8 (Part 8), de David Lynch. EUA, 2017. Com Frank Silva, Kyle MacLachlan, Joy Nash. 60’. + episódio 18: Parte 18 (Part 18), de David Lynch. EUA, 2017. Com Kyle MacLachlan, Sheryl Lee, Naomi Watts. 58’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

SEX 7 FEV . 18h
Incontornáveis. Ladrão de alcova (Trouble in Paradise), de Ernst Lubitsch. EUA, 1932. Com Miriam Hopkins, Kay Francis, Herbert Marshall. 83’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

SEX 7 FEV . 18h20
Homenagem a David Lynch. “The Answers to the Questions”, de David Lynch. EUA, 2024. Com Chrystabell. Videoclipe. 6’. + Cidade dos sonhos (Mulholland Dr.), de David Lynch. EUA/França, 2001. Com Naomi Watts, Laura Elena Harring, Justin Theroux. 147’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

SÁB 8 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. A festa e os convidados (O slavnosti a hostech), de Jan Nemec. Tchecoslováquia, 1966. Com Helena Pejšková, Jana Pracharová, Zdena Skvorecka. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 2.

SÁB 8 FEV. 17h50
O cinema da cortina de ferro. A queda de Berlim (Padenie Berlina), de Mikheil Chiaureli. União Soviética, 1950. Com Mikheil Gelovani, Boris Andreiev, Vladimir Savelev. 152’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 2.

DOM 9 FEV . 16h10
O cinema da cortina de ferro. A balada do soldado (Ballada o soldate), de Grigori Tchukrai. União Soviética, 1960. Com Vladimir Ivashov, Zhanna Prokhorenko, Antonina Maksimova. 88’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

DOM 9 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. Amador (Amator), de Krzysztof Kieslowski. Polônia, 1979. Com Jerzy Stuhr, Małgorzata Ząbkowska, Ewa Pokas. 112’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

QUA 12 FEV . 19h
Gêneros ao redor do mundo. Lady Snowblood: Vingança na neve (Shurayukihime), de Toshiya Fujita. Japão, 1973. Com Meiko Kaji, Toshio Kurosawa, Masaaki Daimon. 97’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

QUI 13 FEV . 18h
Sessão especial. O que podem as palavras, de Luísa Marinho e Luísa Sequeira. Portugal. 2022. Documentário. Com Ana Luísa Amaral, María Isabel Barreno, Maria Velho da Costa. 76’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Sessão com a presença da realizadora Luísa Sequeira. Cinema 1.

SEX 14 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. A faca na água (Nóz w wodzie), de Roman Polanski. Polônia, 1962. Com Leon Niemczyk, Jolanta Umecka, Zygmunt Malanowicz. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 1.

SEX 14 FEV . 18h
Incontornáveis. O samurai (Le samouraï), de Jean-Pierre Melville. França/Itália, 1967. Com Alain Delon, Cathy Rosier, François Périer. 105’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 16 anos. Cinema 1.

SÁB 15 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. A cor da romã (Sayat Nova), de Sergei Paradjanov. União Soviética, 1969. Com Sofiko Chiaureli, Vilen Galstian, Gogi Gegechkori. 79’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 1.

SÁB 15 FEV . 17h50
O cinema da cortina de ferro. A ascensão (Voskhozhdenie), de Larissa Shepitko. União Soviética, 1977. Com Boris Plotnikov, Vladimir Gostiukhin, Sergei Yakovlev. 111’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

DOM 16 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. A infância de Ivan (Ivanovo detstvo), de Andrei Tarkovski. União Soviética, 1962. Com Nikolai Burliaiev, Valentin Zubkov, Yevgeni Zharikov. 95’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 1.

DOM 16 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. As pequenas margaridas (Sedmikrásky), de Vera Chytilová. Tchecoslováquia, 1966. Com Ivana Karbanová, Jitka Cerhová, Marie Cesková. 75’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

QUI 20 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. Era uma vez um melro cantor (Iko shashvi mgalobeli), de Otar Iosseliani. União Soviética, 1970. Com Gela Kandelaki, Irine Jandieri, Jansug Kakhidze. 85’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

SEX 21 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. O primeiro professor (Pervi uchitel), de Andrei Konchalovsky. União Soviética, 1965. Com Bolot Beishenaliev, Natalia Arinbasarova, Idris Nogajbaiev. 102’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

SEX 21 FEV . 19h
Aconteceu 100 anos atrás. A mulher do outro (The Circle), de Frank Borzage. EUA, 1925. Com Eleanor Boardman, Malcolm McGregor, Alec B. Francis. 65’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 2.

SÁB 22 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. Breves encontros (Korotkie vstrechi), de Kira Muratova. União Soviética, 1967. Com Nina Ruslanova, Vladimir Visotski, Kira Muratova. 96’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

SÁB 22 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. A reconstituição (Reconstituirea), de Lucian Pintilie. Romênia, 1968. Com George Constantin, Emil Botta, George Mihaita. 100’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

DOM 23 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. A estrutura de cristal (Struktura kryształu), de Krzysztof Zanussi. Com Barbara Wrzesinska, Jan Mysłowicz, Andrzej Żarnecki. 74’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

DOM 23 FEV . 17h50
O cinema da cortina de ferro. Filme de amor (Szerelmesfilm), de István Szabó. Hungria, 1970. Com Judit Halász, András Bálint, Edit Kelemen. 123’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 2.

SEG 24 FEV . 16h
Homenagem a Cacá Diegues. Cinema é maresia: entrevista com Carlos Diegues. Brasil, 2010. 44’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 1.

SEG 24 FEV . 17h20
Homenagem a Cacá Diegues. A grande cidade, de Carlos Diegues. Brasil, 1964. Com Leonardo Vilar, Anecy Rocha, Antonio Pitanga. 80’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 1.

SEG 24 FEV . 19h
Homenagem a Cacá Diegues. Chuvas de verão, de Carlos Diegues. Brasil, 1978. Com Jofre Soares, Miriam Pires, Cristina Aché. 93’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre. Cinema 1.

QUA 26 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. Classe operária (Moonlighting), de Jerzy Skolimowski. Reino Unido, 1982. Com Jeremy Irons, Eugene Lipinski, Jiri Stanislav. 97’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

QUI 27 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. Vá e veja (Idi i smotri), de Elem Klimov. União Soviética, 1985. Com Aleksei Kravchenko, Olga Mironova, Liubomiras Laucevicius. 142’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 18 anos. Cinema 1.

SEX 28 FEV . 16h
O cinema da cortina de ferro. O tema (Tema), de Gleb Panfilov. União Soviética, 1979. Com Mikhail Ulianov, Inna Churikova, Evgeni Vesnik. 99’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

SEX 28 FEV . 18h
O cinema da cortina de ferro. A pequena Vera (Malenkaya Vera), de Vassili Pitchoul. União Soviética, 1988. Com Natalia Negoda, Andrei Sokolov, Yuri Nazarov. 128’. Legendas em português. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos. Cinema 1.

JANEIRO 2025

Homenagem a David Lynch
Cineasta, pintor e compositor musical, David Lynch (1946-2025) estabeleceu novas relações entre cinema e televisão. Criou um imaginário visual em que a pureza da pequena cidade estadunidense dos anos 1950 contrasta com a violência que vem dela mesma. Seu primeiro grande projeto foi Eraserhead (1977), um filme experimental sobre ansiedade paterna. O sucesso artístico do filme permitiu que ele fizesse em seguida seu primeiro longa hollywoodiano: O homem elefante (1982), que acabou indicado a oito Oscars. É Veludo azul (1986), no entanto, que dá facetas definitivas ao estilo de Lynch, incorporando a seu cinema elementos do noir e do suspense hitchcockiano. Junto com o roteirista Mark Frost, Lynch adapta sua visão de mundo para a TV na série Twin Peaks (1990-91), que, por trás da intriga do whodunnit, criava um universo perturbador, atmosférico e denso. No mesmo ano da série, Coração selvagem (1990) ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Estrada perdida (1997) e Cidade dos sonhos (2001) surpreendem os espectadores ao afirmar a autonomia da cena em relação à trama, criando um universo que ultrapassa a lógica linear. A trama passa a ser pretexto para figuras oníricas e surreais. Twin Peaks: O retorno, de 2017, carrega essa radicalização para a TV e novamente Lynch impressiona produzindo uma obra fragmentada e vanguardista que encanta tanto quanto desorienta. Hoje, o termo lynchiano se estende do cinema às artes visuais. Sua obra merece ser vista numa tela de cinema, e parte substancial dessa trajetória poderá ser vista em uma homenagem-relâmpago que a Cinemateca do MAM no CCBB propõe para o fim de janeiro.

QUA 29 JAN . 16h
Homenagem a David Lynch. Seis homens adoecendo (Six men getting sick), de David Lynch. EUA, 1966. 4’. + Eraserhead, de David Lynch. EUA, 1977. Com Jack Nance, Charlotte Stewart, Alle Joseph. 89’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 18 anos.

QUA 29 JAN . 18h
Homenagem a David Lynch. Veludo azul (Blue Velvet), de David Lynch. EUA, 1986. Com Kyle McLachlan, Isabella Rossellini, Dennis Hopper, Laura Dern. 120’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

QUI 30 JAN . 16h
Homenagem a David Lynch. Twin Peaks (Twin Peaks), episódio 1: Piloto (Pilot), de David Lynch. EUA, 1989. Com Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Sherilyn Fenn. 94’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 30 JAN . 18h
Homenagem a David Lynch. Estrada perdida (Lost Highway), de David Lynch. EUA, 1997. Com Bill Pullman, Patricia Arquette, Balthazar Getty. 134’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 31 JAN . 15h30
Homenagem a David Lynch. Twin Peaks: o retorno (Twin Peaks: The Return), episódio 8: Parte 8 (Part 8), de David Lynch. EUA, 2017. Com Frank Silva, Kyle MacLachlan, Joy Nash. 60’. + episódio 18: Parte 18 (Part 18), de David Lynch. EUA, 2017. Com Kyle MacLachlan, Sheryl Lee, Naomi Watts. 58’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

SEX 31 JAN . 18h
Homenagem a David Lynch. “The Answers to the Questions”, de David Lynch. EUA, 2024. Com Chrystabell. Videoclipe. 6’. + Cidade dos sonhos (Mulholland Dr.), de David Lynch. EUA/França, 2001. Com Naomi Watts, Laura Elena Harring, Justin Theroux. 147’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

DEZEMBRO 2024

Centenário de Rodolfo Nanni
Rodolfo Nanni entrou para a história do cinema brasileiro ao realizar O Saci (1953), considerado o primeiro filme infanto-juvenil da produção nacional. Trata-se de uma adaptação da literatura de Monteiro Lobato, e contou com os futuros cineastas Nelson Pereira dos Santos e Alex Viany na equipe de produção. Mas sua obra, apesar de pouco extensa, tem outros marcos, como o pioneiro curta-metragem O drama das secas (1958), em que contou com colaboração de Josué de Castro, e O retorno (2008), a volta 50 anos depois aos locais filmados no curta. Seu centenário será celebrado em vida dia 29 de novembro, e em dezembro a Cinemateca presta a homenagem exibindo seus filmes e conversando com ele sobre sua notável carreira.

Aconteceu 100 anos atrás
Faz parte do trabalho de uma cinemateca manter viva a memória do cinema em todas as suas épocas, e esta rubrica contínua oferece ao frequentador do MAM a chance de conhecer mais profundamente o panorama do que acontecia há um século nas telas do mundo, dos grandes clássicos até filmes de menor notoriedade mas de importância histórica inegável. Para terminar o ano, faremos um intensivo de filmes marcantes de 1924 que, por conta da interrupção da programação presencial do museu, ainda não foram exibidos. Entre eles, as duas partes de Os Nibelungos, de Fritz Lang, a ficção científica soviética Aelita, de Yakov Protazanov, Bancando o águia de Buster Keaton, duas comédias com Harold Lloyd, além de filmes assinados pelos grandes Ernst Lubitsch e Marcel L’Herbier.

Neo-realismo e seus arredores
O neo-realismo é um grande acontecimento na história do cinema. Quando o público do pós-guerra viu em Roma, cidade aberta as verdadeiras ruas de uma Roma destruída e, no entorno dela, uma narrativa de ficção acontecendo em meio a locações reais, surgiu um intenso sentimento de autenticidade, um sentimento que o cinema pode ser feito em meio à vida, se fundir nela, falar de real sobre temas reais, e não se escondendo entre as quatro paredes dos estúdios, como nos modelos industriais de todos os países, em especial a Hollywood americana. Mas o que é exatamente o neo-realismo? Aí a questão se complica: pode-se falar de filmar em locação, pode-se falar do trabalho com não-atores encontrados entre o povo, pode-se falar das temáticas do homem comum, mas, para além de alguns filmes muito específicos (Paisà, A terra treme, Ladrões de bicicletas, entre outros), é difícil pensar num número significativo de filmes italianos do período que teriam uma real ortodoxia neo-realista. No entanto, o neo-realismo influenciou a indústria do país e fez diversos diretores mudarem de percurso ou se reorientarem no interesse que despertou essa nova forma de fazer cinema. Há, portanto, um neo-realismo estrito – que alguns poderiam até dizer que é somente Roberto Rossellini – e um neo-realismo em sentido ampliado. Ou simplesmente filmes que tangenciam o neo-realismo. Uma mostra com esse recorte “ampliado” não busca separar o joio do trigo, mas apresentar um panorama de como a novidade desse cinema é difundida, eventualmente diluída, e certamente reciclada em propostas distintas de fazer filmes. Para além de Rossellini, De Sica e do primeiro Visconti, os filmes italianos tocados pelo advento do neo-realismo são muito pouco conhecidos de nós. “Neo-realismo e seus arredores” é a oportunidade de se familiarizar com esse período e essa proposta de fazer cinema que foi a principal inspiração para a nouvelle vague, para o Cinema Novo brasileiro e para todos os novos cinemas surgidos ao redor do mundo nos anos 60.

DOM 1 DEZ . 16h
Neo-realismo e seus arredores. Sob o sol de Roma (Sotto il sole di Roma), de Renato Castellani. Itália, 1948. Com Oscar Blando, Liliana Mancini, Francesco Golisano. 95’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 1 DEZ . 18h
Neo-realismo e seus arredores. Umberto D, de Vittorio De Sica. Itália, 1952. Com Carlo Battisti, Maria Pia Casilio, Lina Gennari. 89’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUA 4 DEZ . 18h
Aconteceu 100 anos atrás. Aelita – A rainha de Marte (Aelita), de Yakov Protazanov. União Soviética, 1924. Com Yuliya Solntseva, Igor Ilyinsky, Nikolai Tsereteli. 113’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUI 5 DEZ . 18h
Aconteceu 100 anos atrás. A inumana (L’Inhumaine), de Marcel L’Herbier. França, 1924. Com Jaque Catelain, Léonid Walter de Malte, Philippe Hériat. 135’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 6 DEZ . 18h
Aconteceu 100 anos atrás. Bancando o águia (Sherlock Jr.), de Buster Keaton. EUA, 1924. Com Buster Keaton, Kathryn McGuire, Joe Keaton. 45’. + Sogra fantasma (Hot Water), de Fred C. Newmeyer e Sam Taylor. EUA, 1924. Com Harold Lloyd, Jobyna Ralston, Josephine Cromwell. 53’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

SÁB 7 DEZ . 16h
Aconteceu 100 anos atrás. Três mulheres (Three Women), de Ernst Lubitsch. EUA, 1924. Com Pauline Frederick, May McAvoy, Marie Prevost. 83’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 7 DEZ . 17h50
Aconteceu 100 anos atrás. Os Nibelungos – A morte de Siegfried (Die Nibelungen: Siegfried), de Fritz Lang. Alemanha, 1924. Com Paul Richter, Margarete Schön, Theodor Loos. 143’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 8 DEZ . 16h
Aconteceu 100 anos atrás. O maricas (Girl Shy), de Fred C. Newmeyer e Sam Taylor. EUA, 1924. Com Harold Lloyd, Jobyna Ralston, Richard Daniels. 87’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

DOM 8 DEZ . 18h
Aconteceu 100 anos atrás. Os Nibelungos – A vingança de Kriemhilde (Die Nibelungen: Kriemhilds Rache), de Fritz Lang. Alemanha, 1924. Com Margarete Schön, Gertrud Arnold, Theodor Loos. 129’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUA 11 DEZ . 18h
Incontornáveis. Valerie e a semana das maravilhas (Valerie a týden divů), de Jaromil Jireš. Tchecoslováquia, 1970. Com Jaroslava Schallerová, Helena Anýzová, Petr Kopriva. 77’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 18 anos.

QUI 12 DEZ . 18h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. O emissário de outro mundo (Not of This Earth), de Roger Corman. EUA, 1957. Com Paul Birch, Beverly Garland, Morgan Jones. 67’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

SEX . 16h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. A ilha (Attack of the Crab Monsters), de Roger Corman. EUA, 1957. Com Richard Garland, Pamela Duncan, Russell Johnson. 63’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX . 18h
Incontornáveis. Vida de casado (Meshi), de Mikio Naruse. Japão, 1951. Com Ken Uehara, Setsuko Hara, Yukiko Shimazaki. 97’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 14 DEZ . 16h30
Fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. Um balde de sangue (A Bucket of Blood), de Roger Corman. EUA, 1959. Com Dick Miller, Barboura Morris, Antony Carbone. 66’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 14 DEZ . 18h
Incontornáveis. O terceiro homem (The Third Man), de Carol Reed. Reino Unido, 1949. Com Orson Welles,  Joseph Cotten, Alida Valli. 104’

DOM 15 DEZ . 18h
Incontornáveis. A mulher do padeiro (La Femme du boulanger), de Marcel Pagnol. França, 1938. Com Raimu, Ginette Leclerc, Fernand Charpin. 133’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUA 18 DEZ . 18h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. O intruso (The Intruder), de Roger Corman. EUA, 1962. Com William Shatner, Frank Maxwell, Beverly Lunsford. 84’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 19 DEZ . 18h
Sessão especial. Aldo Baldin: uma vida pela música, de Yves Goulart. Brasil, 2024. Com Aldo Baldin, Isaac Karabtchevsky, Helmuth Rilling. Documentário. 114’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre.

SEX 20 DEZ . 16h
Centenário de Rodolfo Nanni. (Aguardando Confirmação)

SEX 20 DEZ . 18h
Centenário de Rodolfo Nanni. O saci, de Rodolfo Nanni. Brasil, 1954. Com Lívio Nanni, Paulo Matozinho, Olga Maria. 65’. + Sacis, de Bruno Bennec. Brasil, 2023. Com Luiza Pereira, Ryan Campbell, Kaik Pereira. 24’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre.

SÁB 21 DEZ . 16h
Centenário de Rodolfo Nanni. Cordélia, Cordélia, de Rodolfo Nanni. Brasil, 1971. Com Lilian Lemmertz, Francisco Di Franco, Pedro Paulo Hatheyer. 92’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 21 DEZ . 18h
Centenário de Rodolfo Nanni. O retorno, de Rodolfo Nanni. Brasil, 2008. Documentário. 75’. Em mp4 (h264). Classificação indicativa livre.

DOM 22 DEZ . 16h20
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. O homem dos olhos de raio X (X), de Roger Corman. EUA, 1963. Com Ray Milland, Diana Van der Vlis, Harold J. Stone. 79’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 22 DEZ . 18h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. Viagem ao mundo da alucinação (The Trip), de Roger Corman. EUA, 1967. Com Peter Fonda, Susan Strasberg, Bruce Dern. 82’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 26 DEZ . 16h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. Muralhas do pavor (Tales of Terror), de Roger Corman. EUA, 1962. Com Vincent Price, Maggie Pierce, Peter Lorre. 89’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 26 DEZ . 18h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. O massacre de Chicago (The St. Valentine’s Day Massacre), de Roger Corman. EUA, 1967. Com Jason Robards, George Segal, Ralph Meeker. 100’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 27 DEZ . 16h20
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. O solar maldito (The Fall of the House of Usher), de Roger Corman. EUA, 1960. Com Vincent Price, Mark Damon, Myrna Fahey. 79’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 27 DEZ . 18h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. O poço e o pêndulo (The Pit and the Pendulum), de Roger Corman. EUA, 1961. Com Vincent Price, Barbara Steele, John Kerr. 80’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 28 DEZ . 16h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. A orgia da morte (The Masque of the Red Death), de Roger Corman. EUA, 1964. Com Vincent Price, Hazel Court, Jane Asher. 89’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

SÁB 28 DEZ . 18h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. Os anjos selvagens (The Wild Angels), de Roger Corman. EUA, 1966. Com Peter Fonda, Nancy Sinatra, Bruce Dern. 93’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

DOM 29 DEZ . 16h10
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. Túmulo sinistro (The Tomb of Ligeia), de Roger Corman. EUA, 1964. Com Vincent Price, Elizabeth Shepherd, John Westbrook. 82’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 29 DEZ . 18h
Horror, fantasia, psicodelia: o cinema de Roger Corman. Castelo assombrado (The Haunted Palace), de Roger Corman. EUA, 1963. Com Vincent Price, Debra Paget, Lon Chaney Jr. 87’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 18 anos.

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NOVEMBRO 2024

Neo-realismo e seus arredores
O neo-realismo é um grande acontecimento na história do cinema. Quando o público do pós-guerra viu em Roma, cidade aberta as verdadeiras ruas de uma Roma destruída e, no entorno dela, uma narrativa de ficção acontecendo em meio a locações reais, surgiu um intenso sentimento de autenticidade, um sentimento que o cinema pode ser feito em meio à vida, se fundir nela, falar de real sobre temas reais, e não se escondendo entre as quatro paredes dos estúdios, como nos modelos industriais de todos os países, em especial a Hollywood americana. Mas o que é exatamente o neo-realismo? Aí a questão se complica: pode-se falar de filmar em locação, pode-se falar do trabalho com não-atores encontrados entre o povo, pode-se falar das temáticas do homem comum, mas, para além de alguns filmes muito específicos (Paisà, A terra treme, Ladrões de bicicletas, entre outros), é difícil pensar num número significativo de filmes italianos do período que teriam uma real ortodoxia neo-realista. No entanto, o neo-realismo influenciou a indústria do país e fez diversos diretores mudarem de percurso ou se reorientarem no interesse que despertou essa nova forma de fazer cinema. Há, portanto, um neo-realismo estrito – que alguns poderiam até dizer que é somente Roberto Rossellini – e um neo-realismo em sentido ampliado. Ou simplesmente filmes que tangenciam o neo-realismo. Uma mostra com esse recorte “ampliado” não busca separar o joio do trigo, mas apresentar um panorama de como a novidade desse cinema é difundida, eventualmente diluída, e certamente reciclada em propostas distintas de fazer filmes. Para além de Rossellini, De Sica e do primeiro Visconti, os filmes italianos tocados pelo advento do neo-realismo são muito pouco conhecidos de nós. “Neo-realismo e seus arredores” é a oportunidade de se familiarizar com esse período e essa proposta de fazer cinema que foi a principal inspiração para a nouvelle vague, para o Cinema Novo brasileiro e para todos os novos cinemas surgidos ao redor do mundo nos anos 60.

110 anos de Henri Langlois
Dia 13 de novembro é o aniversário do homem que mais personifica o amor pela preservação cinematográfica no mundo: Henri Langlois. Criador da Cinemateca Francesa e grande agitador da salvaguarda e da exibição de filmes notáveis da história cinematográfica, Langlois corria incansavelmente contra o tempo para salvar latas de filmes jogadas fora, em mercados de pulgas ou em arquivos abandonados numa época em que nenhum arquivo fílmico ainda existia e todos pareciam acreditar que a efemeridade do cinema era um fato consumado. Henri Langlois mostrou que todos estavam errados: graças a ele milhares de títulos sobreviveram, e sua inspiração fez com que diversas cinematecas e arquivos fílmicos fossem constituídos ao redor do mundo. A Cinemateca do MAM, portanto, não poderia deixar de fazer essa homenagem, exibindo o filme do escritor e cineasta argentino Edgardo Cozarinsky, falecido em junho deste ano.

SEX 1 NOV . 16h (Cinema 1)
Incontornáveis. Juventude desenfreada (Seishun zankoku monogatari), de Nagisa Oshima. Japão, 1960. Com Miyuki Kuwano, Yusuke Kawazu, Yoshiko Kuga. 96′. Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

SEX 1 NOV . 18h
Filmar a música. Ornette: Made in America, de Shirley Clarke. EUA, 1985. Com Ornette Coleman, Don Cherry, William Burroughs. 77’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 2 NOV . 16h
Filmar a música. Agadez, a música e a rebelião (Agadez, the Music and the Rebellion), de Ron Wyman. Níger, 2010. 75’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

SÁB 2 NOV . 18h
Filmar a música. The Rolling Stones: Shine a Light (Shine a Light), de Martin Scorsese. EUA, 2008. Com Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts. 122’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

DOM 3 NOV . 15h30
Filmar a música. Can: Free Concert, de Peter Przygodda. Alemanha Ocidental, 1972. Com Damo Suzuki, Irmin Schmidt, Jaki Liebezeit. 54’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

DOM 3 NOV . 17h
Aconteceu 100 anos atrás. A saga de Gösta Berling (Gösta Berlings saga), de Mauritz Stiller. Suécia, 1924. Com Lars Hanson, Sven Scholander, Greta Garbo. 183′. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUA 13 NOV . 18h
110 anos de Henri Langlois. Cidadão Langlois (Citizen Langlois), de Alberto Cozarinsky. França, 1995. Documentário. 69’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUI 14 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. Roma cidade aberta (Roma città aperta), de Roberto Rossellini. Itália, 1945. Com Anna Magnani, Aldo Fabrizi, Marcello Pagliero. 103’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 15 NOV . 15h
Incontornáveis. Duelo ao sol (Duel in the Sun), de King Vidor. EUA, 1946. Com Jennifer Jones, Gregory Peck, Joseph Cotten. 146’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 15 NOV . 18h
Incontornáveis. Tristana, uma paixão mórbida (Tristana), de Luis Buñuel. Espanha/Itália/França, 1970. Com Catherine Deneuve, Fernando Rey, Franco Nero. 99’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 16 NOV . 16h
Neo-realismo e seus arredores. Cada qual com seu destino (Campo de’ fiori), de Mario Bonnard. Itália, 1943. Com Caterina Boratto, Aldo Fabrizi, Anna Magnani. 95’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 16 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. Paisá, de Roberto Rossellini. Itália, 1946. Com Carmela Sazio, Robert Van Loon, Affonsino Pasca. 122’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 17 NOV . 16h
Neo-realismo e seus arredores. Viver em paz (Vivere in pace), de Luigi Zampa. Itália, 1947. Com Alo Fabrizi, Gar Moore, Mirella Monti. 90’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 17 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. Ladrões de bicicletas (Ladri di biciclette), de Vittorio De Sica. Itália, 1948. Com Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola, Lianella Carell. 89’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUA 20 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. A terra treme (La terra trema), de Luchino Visconti. Itália, 1948. Com Antonio Arcidiacono, Maria Micale, Sebastiano Valastro. 160’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUI 21 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. Arroz amargo (Riso amaro), de Giuseppe De Santis. Itália, 1949. Com Vittorio Gassman, Doris Dowling, Silvana Mangano. 108’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 22 NOV . 18h
Incontornáveis. Ele fica no deserto contando os segundos de sua vida (He Stands in the Desert Counting the Seconds of His Life), de Jonas Mekas. EUA, 1986. Com Allen Ginsberg, Kenneth Anger, Andy Warhol.

SÁB 23 NOV . 16h
Neo-realismo e seus arredores. Milagre em Milão (Miracolo a Milano), de Luchino Visconti. Itália, 1951. Com Emma Gramatica, Francesco Golisano, Paolo Stoppa. 97’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

SÁB 23 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. Belíssima (Bellissima), de Luchino Visconti. Itália, 1951. Com Anna Magnani, Walter Chiari, Tina Apicella. 114’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

DOM 24 NOV . 16h
Neo-realismo e seus arredores. Alemanha ano zero (Germania anno zero), de Roberto Rossellini. Itália/Alemanha/França, 1948. Com Edmund Moeschke, Ernst Pittschau, Ingetraud Hinze. 71’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 24 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. O caminho da esperança (Il cammino della speranza), de Pietro Germi. Itália, 1950. Com Raf Vallone, Elena Varzi, Saro Urzì. 105’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEG 25 NOV . 18h
Homenagem a Vladimir Carvalho. Conterrâneos velhos de Guerra, de Vladimir Carvalho. Brasil, 1990. 154’. Em 35mm. Classificação indicativa 14 anos.

QUA 27 NOV . 18h
Incontornáveis. No silêncio da noite (In a Lonely Place), de Nicholas Ray. EUA, 1950. Com Humphrey Bogart, Gloria Grahame, Frank Lovejoy. 94’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 28 NOV . 18h
Aconteceu 100 anos atrás. Lágrimas de palhaço (He Who Gets Slapped), de Victor Sjöstrom. EUA, 1924. Com Lon Chaney, Norma Shearer, John Gilbert. 95’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 29 NOV . 18h
Gêneros ao redor do mundo. Pulgasari, de Shin Sang-ok. Coreia do Norte, 1985. Com Chang Son Hui, Ham Gi-sop, Ri Jong-uk. 95’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

SÁB 30 NOV . 16h
Neo-realismo e seus arredores. Angelina, a deputada (L’onorevole Angelina), de Luigi Zampa. Itália, 1947. Com Anna Magnani, Nando Bruno, Ave Ninchi. 90’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

SÁB 30 NOV . 18h
Neo-realismo e seus arredores. Roma às 11 horas (Roma ore 11), de Giuseppe De Santis. Itália, 1952. Com Lucia Bosè, Carla Del Poggio, Maria Grazia Francia. 107’. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

PROGRAMAÇÃO OUTUBRO

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Grande parte do audiovisual produzido hoje é derivado da música: videoclipes, vídeo álbuns, registros de gravações ao vivo, transmissões de shows e festivais. E, ainda assim, em muitas dessas obras existe a percepção de que a filmagem, não consegue exprimir a sensação impactante de uma coisa viva, urgente, física, acontecendo entre seres humanos e objetos que emitem sons. 

Como filmar, então, para que tenhamos essa impressão de um presente intenso que a arte musical sendo executada ao vivo é capaz de dar? As respostas podem ser encontradas, visualmente, na mostra “Filmar a música”, que reúne cineastas que se empenham em filmar o acontecimento sonoro em todos os seus aspectos: o trabalho físico, o furor, a repetição dos ensaios, a imprevisibilidade e, evidentemente, a emoção que se origina da execução sonora. 

Não é à toa que os documentaristas do cinema direto, como D. A. Pennebaker ou os irmãos Maysles, fascinados pela ideia de filmar o “agora”, tenham feito filmes musicais. A eles se juntam grandes diretores como Jean-Luc Godard, Martin Scorsese, Shirley Clarke, Pedro Costa e Jim Jarmusch, que encontram ângulos e distâncias de câmera muito especiais para filmar aspectos do gesto musical que nos fazem adentrar nesse “agora” como se fosse o momento mais precioso do mundo. São filmes que vão do rock ao jazz, da improvisação livre à chanson francesa, da música tuareg ao soul e ao pop mas, em todos eles, o objetivo é semelhante: traduzir em imagens a força e a energia que a música tem.

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SEX 18 OUT . 18h
Incontornáveis. Carta de uma desconhecida (Letter from an Unknown Woman), de Max Ophüls. EUA, 1948. Com Joan Fontaine, Louis Jourdan, Mady Christians. 87′. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

SÁB 19 OUT . 16h
Aconteceu 100 anos atrás. A última gargalhada (Der Letzte Mann), de F.W. Murnau. Alemanha, 1924. Com Emil Jannings, Maly Delschaft, Max Hiller. 88′. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

SÁB 19 OUT . 18h
Filmar a música. Year of the Horse, de Jim Jarmusch. EUA, 1997. Com Neil Young, Ralph Molina, Poncho Sampedro. 107’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

DOM 20 OUT . 16h
Filmar a música. Um mais um (One + one), de Jean-Luc Godard. Reino Unido, 1968. Com Mick Jagger, Keith Richards, Anne Wiazemsky. 100’. Documentário/Ficção. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 16 anos.

DOM 20 OUT . 18h
Filmar a música. Gimme Shelter, de Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin. EUA, 1970. Com Mick Jagger, Keith Richards, Mick Taylor. 91’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUA 23 OUT . 18h
Filmar a música. Led Zeppelin: The Song Remains the Same (The Song Remains the Same), de Peter Clifton e Joe Massot. Reino Unido, 1976. Com Robert Plant, Jimmy Page, John Bonham. 137’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 24 OUT . 15h30 (Cinema 1)
Filmar a música. O último concerto de rock (The Last Waltz), de Martin Scorsese. EUA, 1978. Com Robbie Robertson, Muddy Waters, Neil Young. 117′. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUI 24 OUT . 18h
Filmar a música. Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, de D.A. Pennebaker. Reino Unido, 1979. Com David Bowie, Mick Ronson, Trevor Bolder. 90’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 25 OUT . 14h (Cinema 1)
Filmar a música. Woodstock – 3 Dias de Paz, Amor e Música (Woodstock), de Michael Wadleigh. EUA, 1970. Com Jimi Hendrix, The Who, Joan Baez. 184’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SEX 25 OUT . 18h
Incontornáveis. O Açougueiro (Le Boucher), de Claude Chabrol. França, 1970. Com Stéphane Audran, Jean Yanne, Antonio Passalia. 93′. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 26 OUT . 16h
Filmar a música. Conexões desconexas (Step Across the Border), de Nicolas Humbert e Werner Penzel. Suíça/Alemanha, 1990. Com Fred Frith, John Zorn, Arto Lindsay. 88’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

SÁB 26 OUT . 18h
Filmar a música. Sign ‘O’ the Times, de Prince, David Hogan e Albert Magnoli. EUA, 1987. Com Prince, Sheena Easton, Sheila E. 85’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

DOM 27 OUT . 16h
Filmar a música. Jazz num dia de verão (Jazz on a Summer’s Day), de Bert Stern e Aram Avakian. EUA, 1958. Com Thelonious Monk, Mahalia Jackson, Chuck Berry. 88’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

DOM 27 OUT . 18h
Filmar a música. Festival, de Murray Lerner. EUA, 1967. Com Bob Dylan, Johnny Cash, Joan Baez. 95’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUA 30 OUT . 18h
Filmar a música. Ne change rien, de Pedro Costa. Portugal/França, 2009. Com Jeanne Balibar, Rodolphe Burger, Hervé Loos. 99’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.

QUI 31 OUT . 10h (Cinema 1)
Apresentação da plataforma CINENAESCOLA. O projeto Acervos Audiovisuais e Universidades na produção de conhecimento escolar (FAPERJ 2022-2024) desenvolvido pelo grupo CINEAD – Laboratório de Educação, Cinema e Audiovisual da Faculdade de Educação (UFRJ),  e do projeto Acervos Digitais no contexto do Plano Nacional de Educação Digital e da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (USP) apresentam uma plataforma de filmes latinoamericanos com pistas pedagógicas e tecnologias assistivas (em construção).

QUI 31 OUT . 13h (Cinema 1)
2º Encontro das escolas na Cinemateca do MAM/CCBB. Em duas sessões, nas quais serão exibidos filmes da plataforma para grupos de estudantes das escolas envolvidas do projeto Acervos Audiovisuais e Universidades na produção de conhecimento escolar (FAPERJ 2022-2024, a saber: Escola Municipal Prefeito Djalma Maranhão (Vidigal); Escola municipal professora Tânia Rita de Oliveira Teixeira Av São José – Parque Belém Angra dos Reis; Escola municipal PROFA Cleusa Fortes de Pinho Jordão Rua Itaperuna – Japuiba Angra dos Reis; Instituto Benjamin Constant e Colégio de Aplicação da UFRJ.

QUI 31 OUT . 16h 
Filmar a música. Amazing Grace, de Alan Elliott e Sydney Pollack. EUA, 2018. Com Aretha Franklin, James Cleveland, C.L. Franklin. 89′. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa livre.

QUI 31 OUT . 18h
Filmar a música. The Velvet Underground and Nico, de Andy Warhol. EUA, 1966. Com Lou Reed, John Cale, Nico. 70’. Documentário. Em mp4 (h264). Legendas em português. Classificação indicativa 14 anos.



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