Roma (1964–1966)

Em 1963, Rubem Valentim chega à Inglaterra acompanhando sua esposa, Lúcia Alencastro, uma das precursoras da arte-educação no Brasil, que foi contemplada com uma bolsa de estudos na Bath Academy of Art. No entanto, fica pouco tempo no país e logo se fixa em Roma, onde estabeleceu uma importante interlocução com o crítico de arte Giulio Carlo Argan. 

Na capital italiana, continuou seu trabalho com linhas, cores e signos, agora com mais interesse na sobreposição vertical das formas e na criação de composições totêmicas. Neste período, Valentim está bastante influenciado pelas religiões de matriz africana e busca promover uma aproximação entre imagens do Ocidente e dos cultos afro-brasileiros em suas obras. Uma marca desta fase é a busca pela simetria, revelada em alguns trabalhos pelo uso da simplificação e duplicação das formas.

Ao longo de aproximadamente dois anos, Valentim desenvolveu obras que reafirmam sua relação com a arte e as religiões do continente africano. Durante o período, integrou a delegação brasileira convidada a  participar do Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, realizado em 1966 em Dacar, Senegal, pelo presidente Léopold Sédar Senghor. O evento foi promovido como plataforma de afirmação da negritude como horizonte cultural e político. 

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