O Templo de Oxalá, composto por 30 peças, entre 20 esculturas e 10 relevos totalmente brancos, integra a coleção do Museu de Arte Moderna da Bahia desde 1998. Existe uma possível analogia entre o conjunto e uma festa para Oxalá, na qual as esculturas são divindades vestidas de branco em louvor aos orixás Funfun.
Em entrevista à pesquisadora Claudia Fazzolari, concedida em seus últimos anos, Rubem Valentim comenta que a primeira vez que exibiu as peças que viriam a compor o Templo de Oxalá foi no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1977. Mas a instalação foi apresentada ao público como a conhecemos apenas na 14ª Bienal Internacional de São Paulo, no mesmo ano, em uma sala especialmente dedicada a Valentim.
Em 2022, ano do centenário do artista, as obras foram restauradas e entraram em circulação, com o intuito de difundir o seu legado. O conjunto passou pelo Museu Nacional de Brasília, pela 35a Bienal de São Paulo, em 2023, e pelo Museu do Louvre Lens, na França, em 2025. O retorno das obras ao MAM Rio, no âmbito da exposição Rubem Valentim: a ordem do sensível fecha um ciclo iniciado há quase cinquenta anos.
Com sua obra, Valentim inventa uma linguagem artística própria, impregnada “por uma cultura genuinamente brasileira”, carregada de códigos afro-brasileiros. O artista se definia como “um homem desesperado que procura a Divindade, o Ser dos Seres”. Que ele o tenha encontrado!
Museu de Arte Moderna da Bahia