Devir-devorar, 2026
Em Devir-devorar, Gabriel Haddad e Leonardo Bora pensam o desenho e a escultura como conjugação de saberes e fazeres, teoria e prática. A escultura de onça alada, personagem recorrente em seus desfiles, sintetiza o universo de Rosa Magalhães (Rio de Janeiro, RJ, 1947–2024), carnavalesca que incorporou simbologias dos mundos indígenas em enredos como Não existe pecado do lado de baixo do Equador (1992) e Catarina de Médicis na corte dos Tupinambôs e Tabajeres (1994), elaborados para o G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense.
Em parceria com a escultora Marina Vergara, Haddad e Bora transformam uma figura imaginária em escultura de isopor, material recorrente nos barracões de Carnaval. Um vídeo de registro das etapas de produção da obra é projetado na parede, dialogando com a sombra da onça. Da base em isopor ao empastelamento com cola de farinha e papel kraft, os procedimentos mostram o trabalho criativo do Carnaval. Na escultura, a colagem de fragmentos do arquivo de Rosa rasura e tatua o eterno devorar das memórias carnavalescas.