Abstrações além da forma (1940–1960)

No Brasil do pós-guerra, ao final da década de 1940, o abstracionismo informal desponta como tendência, se estabelecendo de maneira mais consistente ao longo dos anos 1950. O período é marcado pela criação dos museus de arte moderna, em um processo de institucionalização do campo e de internacionalização da arte. Artistas que migraram ao Brasil em decorrência dos conflitos que marcam o início do século chegam ao país ao mesmo tempo em que alguns artistas brasileiros fixam residência na Europa e acompanham os debates sobre a abstração e suas vertentes.

Nesse contexto de experimentação, a tela passa a ser compreendida como campo de investigação das linguagens visuais. Sua superfície torna-se espaço de ação, marcada pela explosão do gesto, dos ritmos, das tensões e sobretudo pela valorização do próprio processo pictórico. As referências figurativas se decompõem, as formas se dissolvem e as cores ganham autonomia, em um movimento de ruptura e abandono dos princípios tradicionais da pintura figurativa que o precedia.  

Assim, artistas antes vinculados à produção figurativa deslocaram sua pesquisa para a abstração informal. Enquanto alguns mantiveram certos códigos figurativos e aspectos da realidade objetiva, outros romperam definitivamente com a representação, concentrando-se na matéria, na cor e no gesto. 

Em uma apreciação coletiva da produção brasileira do período, é possível agrupá-la em duas grandes vertentes. De um lado, uma tendência de caráter lírico e subjetivo, voltada à experiência interior. De outro, obras que privilegiam as investigações formais, explorando as relações entre superfície, ritmo, composição e matéria, sem necessariamente aderir ao rigor geométrico da abstração concreta. 

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