Nos anos 1980, a arte brasileira passa por uma importante transformação. As noções tradicionais de estilo são questionadas, dando lugar a novas formas de criação. Diferentes da geração anterior, impulsionada por um projeto militante, os artistas que emergem nessa década se voltam para a ampliação dos modos de expressão em diálogo com o processo de redemocratização do país. A abertura política proporciona um ambiente de maior liberdade criativa, no qual diversas linguagens e referências passam a coexistir.
A exposição Como vai você, Geração 80?, apresentada em 1984 na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, torna-se um marco ao reunir pela primeira vez nomes incontornáveis da geração. A mostra revela a pluralidade da produção do período e evidencia que, embora compartilhem um interesse comum pela pintura, em geral de grande escala, os participantes não formam um grupo homogêneo. Ao contrário, os artistas desenvolvem práticas e procedimentos distintos, empregando gestos, cores, alegorias, paisagens e sobreposições que ampliam as possibilidades expressivas da imagem.
O questionamento do estilo como categoria fixa também redefine a relação desses artistas com a história da arte. Em vez de ser compreendida como uma sucessão linear de movimentos, ela se torna um repertório aberto à interpretação e à apropriação. Os artistas dialogam com diferentes tradições visuais, como o barroco, o expressionismo, a pop art, o maneirismo e o abstracionismo, e incorporam elementos dessas linguagens em suas obras. A tradição deixa de funcionar como modelo a ser seguido e transforma-se em matéria para criação.