Após a implementação do AI-5, a ditadura militar intensifica os processos de supressão das liberdades civis e a violência de Estado. Diante desse contexto, muitos artistas passam a rever não apenas os temas de suas obras, mas também as lógicas do sistema da arte. Enquanto a Nova Figuração recorria à cultura popular e, sobretudo, à linguagem figurativa para discutir a realidade brasileira, artistas experimentais e conceituais recusam a representação tradicional e buscam novas formas de produção, circulação e recepção com seus trabalhos.
Na arte conceitual, a ênfase se desloca do objeto para o conceito que o sustenta. Embora seja um movimento internacional, no Brasil assume características próprias e responde às condições impostas pelo contexto ditatorial, acrescentando conteúdo político. Os artistas desenvolvem obras que ultrapassam os limites de museus e de galerias, e ocupam o espaço urbano, provocando intervenções críticas no cotidiano. Questionam, dessa forma, não apenas a definição de objeto artístico, mas a própria lógica das instituições como espaços de legitimação da arte, somando a isso uma reflexão sobre a materialidade da obra, seus suportes e modos de circulação.
Essas práticas ampliam o campo de intervenção e até mesmo de definição da produção artística ao incorporar procedimentos como o ready-made, a performance e a fotografia, além de materiais e técnicas pouco convencionais. Há nessa arte também uma profunda valorização da liberdade no processo criativo, que passa a absorver diferentes linguagens e experiências. O corpo se torna espaço de criação e experimentação artística, como nas pesquisas desenvolvidas por Lygia Clark em sua fase sensorial. Entre os artistas que marcam essas tendências, há também aqueles que mantêm um substrato concreto e abstrato.