Elementos apropriados (1980–2000)

Enquanto a maioria dos artistas da Geração 80 se dedica à pintura, outros voltam sua atenção à experimentação de novas linguagens e à incorporação de elementos inusuais deslocados de seus significados e funções originais. Embora não formem um movimento organizado e homogêneo, compartilham uma postura investigativa que resulta em esculturas, instalações e obras híbridas. 

Muitos recorrem a estratégias próximas aos ready-mades de Marcel Duchamp, mas, no contexto brasileiro, o procedimento é feito através da apropriação de resíduos industriais, itens encontrados nas ruas ou em mercados populares, utensílios domésticos, sobras têxteis, brinquedos, dispositivos tecnológicos e outros artefatos da cultura material. Estes são remixados ou apresentados em escalas inesperadas para produzir novos efeitos nas obras e oferecer uma conexão mais imediata com a realidade. 

De maneira distinta à geração conceitual dos anos 1970, que empregou objetos não artísticos para questionar a própria definição de arte, essa nova geração está interessada na estética da hibridização, em que materiais de múltiplas procedências são reunidos sem hierarquias. Essa operação é feita com humor, ironia e irreverência, em alguns casos com referências ao kitsch. Não para formular uma crítica direta ao consumo ou ao sistema, mas para produzir novos sentidos e questionar as formas de representação na cultura visual.

Iniciadas nos anos 1980 e desenvolvidas nas décadas seguintes, essas práticas contribuíram para ampliar o repertório da arte contemporânea brasileira ao legitimar o uso de elementos e processos que afirmam a liberdade dos processos criativos.

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