Os anos 1950 são um período de institucionalização do campo artístico no Brasil, com a criação de instituições como a Bienal de São Paulo, que promove o contato com a produção internacional da época. Nesse contexto, a arte concreta aparece como uma vertente da abstração geométrica caracterizada pelo rigor matemático, pela depuração da forma e pela busca de uma linguagem visual autônoma em rejeição à representação figurativa. Os artistas organizam suas pesquisas privilegiando elementos essenciais, como a linha reta, o retângulo e as cores primárias na composição.
O movimento concreto tomou forma no país a partir de dois núcleos, em diálogo com as vanguardas europeias e artistas como o suíço Max Bill, formulando programas e manifestos. O Grupo Ruptura, em São Paulo, realizou em 1952 uma exposição acompanhada de um manifesto contra o figurativismo, afirmando a necessidade de uma arte baseada na ordem, na racionalidade e na construção objetiva da forma. No Rio de Janeiro, o Grupo Frente teve o artista e professor Ivan Serpa como figura central, com uma prática mais experimental dentro do campo geométrico.
Em dezembro de 1956, em São Paulo, aconteceu a 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, repetida no Rio de Janeiro em fevereiro de 1957. A partir desse núcleo concreto, surge a dissidência neoconcreta, formalizada em 1959 na 1ª Exposição Nacional de Arte Neoconcreta, no Rio de Janeiro. O neoconcretismo representa uma rejeição do sistema rígido da arte concreta, introduzindo uma dimensão mais sensível, fenomenológica e participativa. No Rio, essa abertura é intensificada pelo diálogo com experiências como o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira no Museu de Imagens do Inconsciente, que aproximava arte, subjetividade e processos psíquicos.
Assim, entre o rigor matemático da arte concreta e a abertura sensível do neoconcretismo, consolida-se um diálogo entre racionalidade, experimentação e interdisciplinaridade.