Prêmios e patrocínios impulsionam a entrada de importantes obras para o acervo MAM Rio nos anos 2000.
Ao longo de sua história, o MAM Rio consolidou-se como sede de tradicionais salões com premiações destinadas aos artistas, como o Salão de Verão (1969–1975), o Salão da Bússola (1969), o XIX Salão Nacional de Arte Moderna (1970) e o Salão Nacional de Artes Plásticas (1980–1998). A partir dos anos 2000, o museu firmou parcerias com eventos dedicados à premiação de arte contemporânea, nos quais os finalistas doaram obras à instituição. São os casos do Prêmio Investidor Profissional de Arte, o PIPA, cuja colaboração ocorreu entre os anos de 2010 a 2018, e do Prêmio Marcantonio Vilaça, especialmente as edições de 2010, 2013 e 2014.
A primeira edição do PIPA, em 2010, contou com um júri formado por Antonio Dias, Catalina Lozano, Gilberto Chateaubriand, Lisette Lagnado e Luiz Camillo Osório, então curador do MAM Rio, premiando Renata Lucas, Marcelo Moscheta, Marcius Galan e Cinthia Marcelle. Nas edições seguintes, foram incorporadas obras dos artistas Eduardo Berliner, Jonathas de Andrade, Rodrigo Braga, os irmãos mineiros Matheus e Thiago Rocha Pitta, Cadu, Camila Soato, Laercio Redondo, Alice Miceli, Daniel Steegmann Mangrané, Thiago Martins de Melo, Cristiano Lenhardt, Leticia Ramos, Marina Rheingantz, Virginia de Medeiros, Paulo Nazareth, Bárbara Wagner, Éder Oliveira, Arjan Martins e Vivian Caccuri.1 A parceria foi descontinuada após 2018, mas seus anos de vigência renderam à coleção do museu a entrada de 80 novas obras.
Ao lado do Prêmio PIPA, as edições de 2010, 2013 e 2014 do Prêmio Marcantonio Vilaça contribuíram ao patrimônio do museu com 51 aquisições. O prêmio homenageia o advogado e colecionador pernambucano, cuja galeria em São Paulo foi uma das principais referências na projeção e internacionalização de artistas brasileiros. Considerada uma das mais importantes iniciativas das artes visuais no Brasil, a premiação teve duas vertentes: prêmio concedido pela indústria CNI/SESI e prêmio via edital público do governo federal, Funarte/Ministério da Cultura. Este último foi responsável pela aquisição de obras de artistas como Luiza Baldan, Fábio Baroli, Carlos Bevilacqua, Cao Guimarães, Pablo Lobato, Eduardo Coimbra, Guilherme Dable, Ernesto Neto, Jarbas Lopes, João Modé, Evandro Teixeira, Carlos Vergara e Jimson Vilela.2
Outro momento importante foi a expansão do acervo por meio dos recursos do programa Petrobras Artes Visuais. O projeto financiou diretamente museus e instituições para aquisição de obras, organização de coleções e preservação da memória artística nacional, e o MAM Rio foi contemplado em 2001 e 2002. As doações incorporadas somam 35 obras, criadas por 16 artistas de diferentes gerações. O público pôde conferir esses trabalhos nas mostras Aquisições Essenciais (2001) e Arquipélagos (2002).
Aquisições essenciais, com curadoria de Fernando Cocchiarale, apresentou um conjunto de obras adquiridas por meio do programa Petrobras Artes Visuais que preencheram lacunas da Coleção MAM Rio. Para alinhar a coleção à relevância histórica de alguns períodos da arte brasileira, priorizou-se a escolha de dois núcleos fundamentais. O primeiro apresentava o projeto construtivo brasileiro, com pinturas da fase abstrato-geométrica de Décio Vieira, Hélio Oiticica e Ivan Serpa. E o segundo, a vocação experimental com as instalações Fantasma (1994) de Antonio Manuel; 1) De dentro para fora, 2) Simples…….. (1970) de Artur Barrio; Marulho (1991–2001) de Cildo Meireles; Ping-ping, a construção do abismo no piscar dos cegos (1980) de Waltercio Caldas; e um óleo sobre tela de Carlos Zilio.3
A mostra Arquipélagos, formada por obras do acervo do MAM Rio, apresentou um núcleo composto por aquisições de obras dos grupos concreto e neoconcreto, como Hércules Barsotti, Lygia Pape e Willys de Castro, ao mesmo tempo que incorporou obras experimentais dos anos 1970, como Poeta/Pornógrafo (1973) de Antonio Dias. O conjunto integrou ainda produções contemporâneas, como Motim II (1998/2000) de José Damasceno, a série Graphos (1996) de Regina Silveira e Escalpe (1983/2000) de Tunga – todas aquisições viabilizadas pelo programa Petrobras Artes Visuais.
[1] Todos os catálogos das edições do PIPA estão disponíveis em PDF no site do prêmio.
[2] Naira Sales, “5 novas formas de olhar a arte”, Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2010.
[3] Fernando Cocchiarale, Aquisições essenciais, Petrobras Artes Visuais, 2001.