O retorno da figuração (1960–1980)

Entre as décadas de 1960 e 1980, a produção artística e cultural brasileira é profundamente impactada pela ditadura militar. A censura, a repressão, o exílio e as perseguições levam muitos artistas a transformar a arte em um meio de resistir, denunciar e construir análises críticas sobre as desigualdades sociais e o autoritarismo. 

As propostas dos artistas associados aos movimentos concreto e neoconcreto já não parecem responder às urgências da conjuntura política. Nesse contexto, a Nova Figuração se estabelece como um movimento de vanguarda comprometido em tematizar questões sociais a partir de uma linguagem artística menos formal e mais próxima da experiência cotidiana. Embora movimentos equivalentes tenham aparecido em outros lugares, no Brasil assume feições próprias, intimamente relacionadas ao contexto local. A crítica ao regime militar é um eixo central junto com a representação de uma cotidianidade complexa, percebida criticamente, enquanto muitas artistas mulheres incorporaram o debate feminista em suas obras. 

Esse deslocamento favorece o retorno da linguagem figurativa, incorporando referências da cultura de massa e da pop art, marcadas pela repetição de imagens e signos. A aproximação da arte ao cotidiano, às referências urbanas, à imprensa e à televisão torna as obras mais acessíveis, desfazendo as hierarquias entre arte erudita e cultura popular.

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