Carmen Portinho foi uma das figuras mais ativas do feminismo brasileiro no século 20. Suas contribuições começam nas décadas de 1920 e 1930, na companhia de Bertha Lutz, Almerinda Gama, Leolinda Daltro, Orminda Bastos e outras sufragistas, na articulação de campanhas decisivas pelo voto feminino, pela educação e pelo reconhecimento de direitos civis e políticos das mulheres. A militância feminista continua ao longo de toda a sua vida profissional, como engenheira, urbanista e gestora de instituições de arte e ensino. Em muitas ocasiões, foi uma mulher pioneira na ocupação de espaços, começando com sua graduação: foi a terceira mulher a se formar em engenharia no Brasil. A partir daí, persiste em seu desafio de ultrapassar os limites impostos às mulheres, transformando sua trajetória profissional em ato político.
Portinho também deixou um legado institucional significativo, contribuindo para a criação e a consolidação de organizações feministas como a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a União Universitária Feminina e a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas. Seu trabalho demonstra como a luta pela equidade passa pelo engajamento coletivo e pela construção de redes de apoio.
Como reconhecimento dessa trajetória, em 1987, no processo de elaboração da Constituição Federal, Carmen Portinho é escolhida para entregar simbolicamente a “Carta das mulheres brasileiras aos constituintes”. Sua figura materializa a continuidade histórica do feminismo no país e funciona como elo entre as lutas do início do século 20 e as conquistas atuais das mulheres na sociedade brasileira.