O direito à moradia é um direito social inscrito na Constituição Brasileira de 1988. Antes disso, já constava na Declaração dos Direitos Humanos da ONU, de 1948. Ainda assim, atualmente continuam escassas as políticas públicas de habitação social nas cidades brasileiras. A atuação de Carmen Portinho como diretora do Departamento de Habitação Popular, entre 1948 e 1960, representa um marco para as políticas de moradia da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil.
Inspirada por princípios modernistas de habitação, e ao lado do companheiro de vida e colega na prefeitura Affonso Eduardo Reidy e de outros profissionais como Francisco Bolonha, Hélio Modesto e Lygia Fernandes, Portinho idealiza e implementa projetos estratégicos e estruturantes que alinham as melhores práticas de arquitetura, urbanismo, engenharia e arte às demandas sociais. Nessa trajetória, prioriza espaços autônomos de habitação, convivência, trabalho e educação que têm como objetivo contribuir para a qualidade de vida das pessoas. À frente dos projetos do departamento, com destaque para o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, o Pedregulho, Portinho imagina uma arquitetura transformadora e confronta os limites impostos às políticas habitacionais e urbanísticas no país.