Qualquer lugar, 2026
Qualquer lugar faz referência ao trabalho de Fernando Pinto (Recife, PE, 1945 – Rio de Janeiro, RJ, 1987), carnavalesco responsável por desfiles que atravessam o tempo e o espaço. Em Tropicália Maravilha (1980), pediu anistia para presos políticos da ditadura militar; em Tupinicópolis (1987), imaginou uma megalópole indígena retrofuturista; e, em Ziriguidum 2001 – Um carnaval nas estrelas (1985), propôs uma viagem para os confins do espaço sideral.
Essas narrativas políticas e delirantes, todas elas realizadas para o G.R.E.S. Mocidade Independente de Padre Miguel, inspiram a escultura esférica de Gabriel Haddad e Leonardo Bora, formada por fantasias, fios elétricos e antenas com cores que evocam a paleta do artista. A célula, ou núcleo reflexivo, emite sons que misturam ecos de Carnavais passados, em uma tentativa de comunicação com as folias futuras, enviando mensagens ao espaço.