A exposição Carnaval como método investiga os processos criativos que dão forma aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, levando para o espaço museológico estratégias, conceitos e linguagens que resultam nos desfiles apresentados todos os anos. Embora o Carnaval ocupe um lugar central na cultura brasileira e sua importância seja amplamente legitimada, seus processos não são plenamente reconhecidos no campo das artes visuais, e ainda pouco presentes em museus e instituições culturais.
A mostra é construída a partir do comissionamento de obras inéditas a seis carnavalescos em atividade, convidados a conceber projetos específicos para o Salão Monumental do museu. A eles, soma-se a apresentação de trabalhos históricos que Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães e Joãosinho Trinta realizaram para a avenida. Completando o projeto, uma seleção de pinturas de autoria de compositores, sambistas e outros artistas do Carnaval e do universo do samba mostra que os processos de criação são múltiplos e cruzam formatos e disciplinas. A proposta transforma assim o espaço expositivo em um campo de experimentação inspirado nas dinâmicas criativas próprias da festa, mas invertendo a lógica do desfile: enquanto na avenida a escola se movimenta, no museu, é o público que se desloca para ver as obras e as instalações, redefinindo os tempos e os modos de aproximação.
A exposição parte da premissa de que os carnavalescos são os artistas visuais responsáveis pela concepção de um dos maiores acontecimentos artísticos do país: os desfiles das escolas de samba. Por isso, o Carnaval não é apresentado como tema ou objeto, mas como um método de criação, fundamentado em processos colaborativos e experimentais. Em lugar de transpor o desfile para o museu, o objetivo é reconhecê-lo e estudá-lo enquanto prática artística, estimulando novas formas de reflexão sobre seus processos criativos.
Carnaval como método retoma relações históricas que o MAM Rio estabeleceu com o Carnaval e as escolas de samba, mas dessa vez reconhecendo explicitamente sua centralidade. E assim propõe um questionamento de distinções, categorias e hierarquias historicamente estabelecidas pelos museus e pelos discursos dominantes da história da arte, contribuindo para o reconhecimento dos carnavalescos como protagonistas da produção artística no Brasil.
curadoria Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende
com colaboração de Debora Moraes e Edu Gonçalves