Guerras (de Sergio Santeiro)

Os povos não são guerreadores

Os povos são pacíficos

Ou teriam se extinguido

Cada um vive seu tempo

Não se pode viver o do outro

São bilhões que vivem cada um por si e se agregam em sua família

E as famílias agregam-se em sua etnia

Brasileiro pra gringo se vende barato

Devia manda-los pastar

Se nós não eles sim

O drama de cada um não é do seu local é planetário

O que não fôr melhor para todos não deve ser melhor para ninguém

Um painel de 108 curtas atestam o nascimento do filme e do cinema pelos Lumière

Mas a busca do real virou mentiras

E desde que viraram dinheiro viraram dinheiro

Violência e crueldade é o que então disseminam

Neles se vê o que não se vê na vida

E o que se vê na vida neles não se vê

Bestialidade

Esforçam-se deliberadamente para iludir o público

Artistas tornam-se atletas

Os filmes variações sobre os mesmos temas

Nem todos claro nem todos

Os temas talvez sejam os mesmos

Mas o tratamento é diverso

Nenhum filme pode ser igual a outro

E  nenhum pode ser diferente de todos

Em toda a minha vida nunca vi acontecer o que acontece nos filmes

E você?

Nunca vi ninguém ser baleado ou balear

É instantâneo não demora

É como cair

Você mal se dá conta de quando caiu

Só dois dias merecem ser socialmente festejados o Ano Novo e o Dia do Trabalho

E cada um comemore o seu aniversário como quiser

O comércio quer que todo dia seja dia do consumo

Não há conflito que não se possa mediar

Em favor da vida de todos

O governo ianque praticamente declarou guerra ao Irã

E ao mundo


Sergio Santeiro
4 de janeiro de 2020 

_

Informações
[email protected]



Acessibilidade | Fale conosco | Imprensa | Mapa do Site