

3 – 7 de dezembro de 2025
Permanência e reinvenção: 3a mostra Petrobras de cinema brasileiro
A mostra Petrobras de cinema brasileiro, realizada pela Cinemateca do MAM, sempre teve um espírito de “arquivo”: amplia o olhar para diferentes épocas, regiões, suportes, formatos, durações e gêneros, indo além do longa-metragem de ficção ou do documentário contemporâneo. Depois das edições de 2016 e 2018, o evento retorna em 2025 em sua terceira edição.
A retomada do evento preserva o espírito original de valorização do patrimônio cinematográfico e audiovisual brasileiro em sua diversidade, agora para além de um formato ou gênero específico. A terceira edição da mostra incorpora novas tipologias materiais, incluindo jogos eletrônicos, e reflete a ampliação do trabalho de preservação da Cinemateca, que passou a abarcar suportes analógicos e digitais videomagnéticos variados e acervos que extrapolam o âmbito estritamente cinematográfico.
Os conceitos de permanência e de reinvenção, que intitulam a mostra, abrangem a resiliência e a transformação da filmografia nacional, do arquivo e da própria preservação e circulação audiovisuais, hoje consolidadas em modalidades como a exibição em DCP, o streaming e a recuperação de formatos raros.
O programa, apresentado de forma presencial e online, com projeções fotoquímicas, digitais e performativas, organiza-se em quatro eixos amplos: a produção videográfica institucional e de caráter popular, desenvolvida como alternativa audiovisual à grande mídia e como instrumento de promoção e documentação social, cultural e política voltado às periferias, pequenas cidades e comunidades rurais; o registro jornalístico e publicitário da própria atividade cinematográfica brasileira, iniciado nos anos 1970 e posteriormente ampliado e serializado em um programa de televisão que se estendeu por 27 anos a partir de 1993; as ações de arquivo voltadas à salvaguarda da filmografia brasileira independente e comercial em película, base magnética e digital, e à incorporação de novas formas de imagens em movimento; e, por fim, a conservação de materiais contemplados por programas, editais ou ações da Petrobras destinados ao patrocínio, duplicação, recuperação, digitalização ou restauração de títulos brasileiros ao longo dos últimos 30 anos.
A 3a Mostra Petrobras de Cinema Brasileiro também celebra a parceria iniciada em 1998 da Petrobras com a Cinemateca do MAM. O MAM Rio acompanhou e participou, desde 2005, da trajetória de atuação da Petrobras na preservação audiovisual através do Programa Petrobras Cultural.
PROGRAMAÇÃO PRESENCIAL
AUDITÓRIO COSME ALVES NETTO
QUA 3 DEZ . 18h30
Sessão de Abertura. Amuleto, de Igor Barradas e Heraldo HB. Brasil, 2025. Documentário. 95’. Em DCP. Classificação indicativa livre.
QUI 4 DEZ . 17h
Homenagem a Patrícia Civelli. Uma vida para dois, de Armando de Miranda. Brasil, 1953. Com Orlando Vilar, Liana Duval e Luigi Picchi. 83’. Exibição em DCP 2K. Digitalização feita em cortesia por Link Digital/Mapa Filmes. Classificação indicativa 10 anos.
Um escritor e um músico lutam para preservar seus ideais artísticos diante do mercado até que surge Maria.
QUI 4 DEZ . 18h30
Alô alô carnaval, de Adhemar Gonzaga. Brasil, 1936. Com Jaime Costa, Oscarito, Barbosa Junior, Pinto Filho. 86’.Versão restaurada digitalmente pela Cinédia, baseada na restauração fotoquímica de 2001, patrocinada pela BR Petrobras Distribuidora. Exibição em DCP 4K. Classificação indicativa livre
Dois revistógrafos falidos querem montar o espetáculo “Banana da Terra” no cassino Mosca Azul. Um golpe do destino os ajudará. Clássica comédia musical, considerada pelos estudiosos precursora das chanchadas, por sua estrutura, tom paródico, relação com o teatro de revista e a nascente indústria fonográfica.
SEX 5 DEZ . 16h30
Revista do Cinema Brasileiro, programas 13, 456/581 e 561/686, de Marco Altberg. Brasil, 1995, 2007, e 2009. Série jornalística de televisão. Apresentação Júlia Lemmertz. 28’ + 21’ + 25’. Digitalizado e remasterizado pela Cinemateca do MAM. Exibição em DCP. Classificação Indicativa Livre. Sessão seguida de roda de conversa com Sergio Rossini, Marco Altberg, Marcelo Goulart e Nicholas Andueza.
O programa Revista do Cinema Brasileiro, criado em 1993, foi um instrumento de divulgação e documentação do audiovisual nacional. Tornou-se o maior repositório de registros da criação fílmica brasileira, exibido em TV aberta e fechada até 2011. Os programas selecionados tratam de temas ligados ao cinema, sua preservação e seu papel social. Incluem ainda diversas entrevistas com profissionais do setor audiovisual. O episódio 13, de 1995, aborda o cineasta Glauber Rocha, o aniversário de 40 anos da Cinemateca do MAM e o cineasta Rogério Sganzerla; o episódio 456/581, de 2007, aborda a 2ª edição do Festival de Cinema de Ouro Preto (CineOP), além do Festival de Cinema e Vídeo Íbero Americano (Cinesul); o episódio 561/686, de 2009, aborda a Mostra Primeiros Povos, com filmes de temática indígena.
SEX 5 DEZ . 19h
Alegria de viver, de Watson Macedo. Brasil, 1958. Com Eliana, John Herbert e Yoná Magalhães. 85’. Digitalizado e remasterizado pela Cinemateca do MAM. Exibição em DCP 2K. Classificação indicativa Livre.
Jovens envolvidos com clubes de rock n’ roll e as confusões que se formam quando são obrigados a desenvolverem uma vida dupla para manterem as aparências. Primeira participação de Roberto Carlos no cinema.
SÁB 6 DEZ . 14h
[Filmes Lia Torá], Brasil, 1925. 10’. + [Família Alberto de Sampaio], de Alberto de Sampaio. Brasil, [192?-1930]. 20′. + [Filmes Castro Maya], Brasil, [192?-194?]. 20′. Exibição em DCP 2K. Todos os materiais foram digitalizados pela Cinemateca do MAM, em parceria com a Link Digital/Mapa Filmes. Classificação indicativa Livre. Sessão em parceria com o Centro Cultural Marcelo Del Cima e a Fundação Castro Maya/Museu Chácara do Céu.
SÁB 6 DEZ . 15h30
Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr. Brasil, 2011. Com Maria da Conceição, Luciene Soares da Silva, Wanderson Soares da Silva. 90’. Em 35mm. Classificação indicativa 10 anos
No sertão mineiro, Bastú enfrenta a perda do marido buscando apoio nas pequenas rotinas, nas lembranças e nos sonhos que a transformam. Maria, com seu tambor, expressa a força e a alegria de seu povo, mantendo viva a tradição. Entre novidades trazidas pelos netos e ecos ancestrais, realidade e invenção se misturam. Nesse universo, pequenos gestos revelam a poesia e o movimento da vida.
SÁB 6 DEZ . 17h30
O forte, de Olney São Paulo. Brasil, 1974. Com Adriano Lisboa, Susana Vieira e Léa Garcia. 88’. Exibição em 35mm. Cópia restaurada pela Cinemateca do MAM. Classificação indicativa 18 anos.
O engenheiro Jairo retorna a sua cidade – Salvador – para demolir o forte de São Marcelo, com mais de 400 anos de idade. No local será erguido um parque infantil. Para Marcelo, essa destruição representa a aniquilação de todo o seu passado, pois foi naquele forte que ele um dia amou Tibiti, a namorada de juventude.
DOM 7 DEZ . 10h
Unsighted, de Fernanda Dias e Tiani Pixel. Brasil, 2021. Jogo Eletrônico, single player. Demonstração em jogo através do console Xbox One, por José Eduardo Zepka. Expectativa de tempo em torno de 180 minutos.
A personagem jogável é Alma, um autômato de combate experimental que acorda com amnésia no laboratório de sua Alma, um autômato experimental que desperta sem memória no laboratório da Dra. Zeferina, precisa sobreviver em Arcádia, onde um meteoro deu consciência aos autômatos e levou os humanos a selarem sua energia, a anima. Sem acesso a ela, os autômatos se deterioram e tornam-se agressivos, restando apenas poucas horas de funcionamento. Cabe a Alma recuperar os fragmentos do meteoro para restaurar a anima, enquanto enfrenta o retorno humano.
DOM 7 DEZ . 13h
Serras da desordem, de Andrea Tonacci. Brasil, 2006. Documentário de invenção. Com Carapirú, Tiramukõn, Bemvindo, Mihatxiá, Canairú, Magadãn, Amãparãnoim e
Sydney Ferreira Possuelo. 135’. Exibição em 35mm. Produção patrocinada pela Petrobras, que depositou a cópia junto à Cinemateca do MAM.
Carapiru, único sobrevivente do massacre de seu povo, vagueia por dez anos até ser capturado a milhares de quilômetros de onde começou sua fuga. Levado a Brasília pelo sertanista Sydney Possuelo, sua origem torna-se alvo de polêmica até ser reconhecido como Guajá por um jovem intérprete resgatado anos antes. Em um reencontro inesperado, os dois descobrem ser pai e filho, ambos dados como mortos desde o massacre. O filme é interpretado pelas próprias pessoas que viveram a história.
DOM 7 DEZ . 15h30
Estou aí?, de Cajado Filho. Brasil, 1949. Com Emilinha Borba, Colé, Pedro Dias, Celeste Aída e Ronaldo Lupo. 98’. Restauração patrocinada pelo Programa Petrobras Cultural. Exibição em H264. Classificação indicativa 10 anos.
Moça pobre do interior vem para a capital para trabalhar como cantora numa emissora de rádio, emprego arranjado pelo gerente, que é seu primo. Seus pais não aceitam que ela siga a carreira artística e também vêm para a capital para acompanhar a carreira da filha, que já faz sucesso.
DOM 7 DEZ . 17h30
O pagador de promessas, de Anselmo Duarte. Brasil/Portugal, 1962. Versão portuguesa. 90’. Legendas em português. Exibição em H264. Classificação indicativa 14 anos.
Adaptação da peça homônima de Dias Gomes, realizada em duas versões com dois elencos distintos. Um cristão simples, mas devoto, faz uma promessa a Santa Bárbara e também a Iansã, depois de salvar seu burro, mas todos que ele encontra parecem determinados a interpretar mal suas intenções. Será que ele conseguirá cumprir sua promessa no final?
PROGRAMAÇÃO ONLINE
As mostras acontecem no Vimeo da Cinemateca do MAM.
SÁB 3 DEZ – DOM 7 DEZ
[TV Viva, programa 385], de Eduardo Homem. Brasil, 1986. Série televisiva. 51′. Digitalizado e remasterizado pela Cinemateca do MAM.
A TV VIVA, que integra o Programa de Comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), é uma produtora criada em 1984 como a primeira televisão a céu aberto das Américas. Ao longo de sua história, produziu quase dois mil vídeos, entre infantis, documentários, ficções, vídeo-clipes, animações, alguns deles vencedores de festivais nacionais e iA TV VIVA, que integra o Programa de Comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), é uma produtora criada em 1984 como a primeira televisão a céu aberto das Américas. Ao longo de sua história, produziu quase dois mil vídeos. Entre 1984 e 1994, a TV VIVA produziu e exibiu, na Região Metropolitana do Recife, um programa mensal com cerca de uma hora de duração, formado por blocos curtos de conteúdos diversos, incluindo infantil, jornalístico, ficcional, documental – bem como diversas interseções muito inventivas entre esses gêneros. No programa escolhido, temos o videoclipe Farofada, reportagem sobre o Comitê de Apoio à Reforma Agrária e o aumento das passagens de ônibus, o espetáculo de bonecos Pastoril, o documentário Jeitinho Brasileiro, a esquete de comédia Carlitos em Olinda.
[Materiais brutos do Projeto Via Brasil], de Sérgio Bernardes. Brasil, 2000. Registros documentais. 39′. Digitalizado e remasterizado pela Cinemateca do MAM.
Trecho de material bruto do grande projeto Via Brasil (2000), do cineasta Sergio Bernardes, no qual ele percorreu todo o território brasileiro à procura de visões que trouxessem seu aporte ao que é o Brasil e o que é ser brasileiro. No material selecionado, a câmera registra um tipo específico de Maracatu da Zona da Mata de Pernambuco, conhecido como Maracatu Rural ou Baque Solto.
Apresentação diante do Teatro Alberto Maranhão, de Grupo Tá Na Rua. Brasil, 1990. Registros documentais de peça teatral. Com Amir Haddad. 107′. Digitalizado e remasterizado pela Cinemateca do MAM. Exibição em h264 (online).
Criado em 1980 por Amir Haddad, o Grupo Tá Na Rua se dedica à criação, formação e pesquisa em torno do teatro de rua. No material selecionado para a Mostra Petrobras de Cinema Brasileiro, assistimos a um espetáculo feito pelo grupo Tá Na Rua, sob a liderança de Amir Haddad, na cidade de Natal, bem em frente ao Teatro Alberto Maranhão.
[Palestra de Nise da Silveira, Cecília Aires e Luiz Carlos Mello], autoria desconhecida. Brasil, [1974] Registros documentais da palestra. 31′. Digitalizado e remasterizado pelo Zentrum fur Kunst und Medien (ZKM), em parceria com a Cinemateca do MAM.
Ministério da Cultura e Petrobras apresentam
3ª Mostra Petrobras de Cinema Brasileiro – Permanência e Reinvenção
