Projeto Legados Vivos reúne exposição, ciclo de conversas, livro e mostra de cinema

O MAM Rio apresenta o projeto Legados vivos, que reflete sobre os processos de construção de patrimônio e de cultura comum, contemplando encontros, uma exposição e uma publicação.

A programação começa em julho, com o ciclo de conversas online Cenas da Cultura Imaterial, com pessoas ligadas a práticas e tradições do Rio de Janeiro, do Maranhão e de outras regiões do Brasil. 

Em colaboração com o Centro Cultural Vale Maranhão (MA), o ciclo discute saberes relacionados ao ato cênico (canto, ritmo, instrumento, indumentária) em formas de expressão pertencentes a tradições e contextos regionais, racializados, populares e periféricos. 

Serão quatro fases mensais gratuitas, até outubro, com as seguintes temáticas: “Culturas da cena e presença”, “Do ritmo e do canto”, “O que nos veste e nos ativa”, “Objetos, fragmentos, histórias”. Em novembro acontece uma mostra de cinema, com filmes sobre práticas de cultura tradicional.

De acordo com Fabio Szwarcwald, diretor executivo do MAM Rio, “a parceria inédita com o Centro Cultural Vale Maranhão revitaliza o patrimônio imaterial e os acervos de outras geografias, por meio de uma importante plataforma de reflexão sobre múltiplos saberes, desenvolvendo projetos educativos e de formação”.

Para Gabriel Gutierrez, diretor e coordenador artístico do Centro Cultural Vale Maranhão, a importância deste evento é a da tomada de consciência. “Quando se convida mestres da cultura popular, artistas, poetas, fazedores populares para falar neste lugar, que antes era só um privilégio de classe, a gente faz uma revisão sobre o papel da instituição na sociedade. É uma redenção da instituição perante essa falha histórica do que foi imposto por ela mesma como sendo cultura.” Para ele, cultura é algo muito mais amplo: “a cultura está ligada a uma vontade de existência, à experiência do cotidiano, à tomada de risco”.

“Uma segunda importância deste evento é a ligação entre dois opostos, também historicamente polarizados dentro da luta de classes: o Nordeste como sendo, teoricamente e supostamente, a parte pobre do Brasil, e o Sudeste, que sempre foi a parte do progresso – essa ideia que vai se construir no século 18 com as ideias civilizatórias.”

No mês de setembro, o MAM Rio inaugura a exposição A memória é uma invenção, reunindo obras dos acervos do MAM Rio; Acervo da Laje; Museu de Arte Negra e IPEAFRO, com o intuito de suscitar diálogos sobre os processos de construção de patrimônio.

A exposição, diz Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio, “pretende provocar reflexões sobre a construção da história, suas narrativas, inclusões e exclusões, ao mesmo tempo em que propõe um exercício de imaginação, um desafio a inventar outras configurações do comum, desde a instituição. Em paralelo, as conversas sobre cultura imaterial realizadas em parceria com o Centro Cultural Vale Maranhão permitem pensar a cultura a partir de paradigmas mais complexos, e constituem um horizonte para pensar as possibilidades e os limites das instituições culturais, incluindo os museus”.

Completa o projeto uma publicação, a ser lançada ainda em 2021. 

OUTUBRO

Objetos, fragmentos, histórias
As dinâmicas de preservação museológicas, de arquivo e de registro, assim como suas possibilidades e limitações em relação às manifestações vivas, muitas vezes chamadas de cultura imaterial compõem o assunto deste último mês do ciclo. As práticas culturais discutidas  ao longo dos encontros ganham aqui a reverberação a partir de experiências que operam entre distintos tempos, instituindo memória e construindo legados para coletividade.

QUA 27 OUT . 19h – 21h
Mesa 1 
José Eduardo Ferreira Santos, pedagogo, mestre em psicologia e doutor em saúde pública, e fundador do Acervo da Laje; e Mauricio Lima, ator, performer e diretor artístico do museu dos meninos; moderado por Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio.

QUI 28 OUT . 19h – 21h 
Mesa 2 
Elisa Larkin Nascimento, doutora em psicologia pela USP e diretora do Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO); e Anelis Assumpção, cantora e compositora; moderado por Gabriel Gutierrez, diretor e coordenador artístico do Centro Cultural Vale Maranhão. 


NOVEMBRO

Ciclo de cinema
(no Vimeo da Cinemateca)
Curadoria de: Beatriz Lemos, Gabriel Gutierrez e José Quental

ENCONTROS ANTERIORES

JULHO
Culturas da cena e presença
Em julho, as duas primeiras mesas abordam os aspectos cênicos e performativos das práticas ancestrais e de terreiros, assim como os das manifestações de cortejo e da escola de samba.

Mesa 1
Gabriel Gutierrez, diretor e coordenador artístico do Centro Cultural Vale Maranhão; Keyna Eleison e Pablo Lafuente, direção artística do MAM Rio, apresentam os conceitos gerais do projeto. Em seguida, a Yalorixá e presidente do Centro Cultural Pequena África, Mãe Celina de Xangô, conversa com a gestora cultural Nadir Cruz, presidente do Boi da Floresta. A moderação é de Keyna Eleison.

Mesa 2
Haroldo Costa, escritor e sambista, especialista em desfile de escola de samba, conversa com Lauande Aires, ator e pesquisador do Bumba meu boi. A mesa tem moderação de Ubiratã Trindade, coordenador do programa educativo do Centro Cultural Vale Maranhão.

O projeto “Legados vivos” tem patrocínio do Instituto Cultural Vale.
Foto: Walter Firmo / Divulgação Centro Cultural Vale Maranhão

AGOSTO

Do ritmo e do canto
As práticas de canto e ritmo, presentes em culturas tradicionais por meio do verso, da declamação, da entonação, da repetição e da síncope são o foco de interesse para esse segundo mês de seminário. As conversas terão como abordagens aspectos semânticos e gramaticais do som, suas estruturas e composições, além das dimensões de encantaria e ritual presentes em festas de terreiros, no samba e na musicalidade indígena.

QUA 25 AGO, das 14h às 16h
Mesa 1 
Ana Costa (cantora e compositora) e Jô Brandão (gestora pública), moderada por Beatriz Lemos (curadora adjunta do MAM Rio).

QUI 26 AGO, das 14h às 16h 
Mesa 2
Noan Moreira (montador de obras de arte) e Djuena Tikuna (cantora e compositora), moderada por Gilson Plano (coordenador de mediação do MAM Rio).

SETEMBRO

O que nos veste e nos ativa
Em setembro, as mesas de conversa abordam a arte associada ao vestuário (indumentária), acerca de figurinos, adereços, adornos, joias, decorações e instrumentos de uso característicos dos trajes em questão. O tema “O que nos veste e nos ativa” será apresentado desde personagens como o fofão e o bate-bola às representações de corpos vestidos e pintados.

QUA 22 SET, das 14h às 16h
Mesa 1 
José Alencar (artista) e Anderson Buda (líder da turma Fascinação). A mesa é moderada por Gabriel Gutierrez (diretor e coordenador artístico do Centro Cultural Vale Maranhão).

QUI 23 SET, das 14h às 16h
Mesa 2
Hanayrá Negreiros (pesquisadora em moda e práticas curatoriais) e Zahy Guajajara ( multiartista do povo Tenetehara-Guajajara). A mesa é moderada por Erika Palomino (jornalista e gerente de comunicação do MAM Rio).



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