Hélio Oiticica: a dança na minha experiência

12 dez 2020 – 7 mar 2021

Hélio Oiticica desfilando com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Rio de Janeiro, circa 1965-1966
Foto: Cláudio Oiticica

Exposição apresenta um panorama da obra experimental e inovadora de Hélio Oiticica (1937-1980) à luz de sua relação com a dança, a música, o ritmo e a cultura popular brasileira. Curada por Adriano Pedrosa e Tomás Toledo, do MASP, a  exposição é uma parceria do museu paulista com o MAM Rio. 

“Meu interesse pela dança, pelo ritmo, no meu caso particular pelo samba, me veio de uma necessidade vital de desintelectualização, de desinibição intelectual, da necessidade de uma livre expressão”, escreveu Oiticica no texto “A dança na minha experiência”, de 1965, que inspirou o nome da exposição. 

Hélio Oiticica: a dança na minha experiência apresenta trabalhos dos períodos de investigações geométricas, rítmicas e cromáticas, cada núcleo da exposição representando uma série do artista. Metaesquemas conta com ilustrações em guache sobre papel cartão, que exploram formas e cores e resultam de seu envolvimento com o concretismo; Relevos espaciais dão a impressão de serem dobraduras expandidas com a materialização da cor; Núcleos são esculturas de proporções maiores e interativas, Penetráveis, são instalações manipuláveis, e Bólides, em que Oiticica explora a cor, a solidez, o vazio, o peso e a transparência. A trajetória culmina no Parangolé, compondo uma espécie de genealogia deste trabalho radical.

Os Parangolés são as obras de Oiticica com maior conexão com a dança e demonstram a estreita relação que ele desenvolveu com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e com o samba durante sua vida. Os Parangolés são, segundo o artista, anti-obras de arte. Capas, faixas e bandeiras construídas com tecidos coloridos, às vezes com sentenças de natureza política ou poética, os Parangolés podem ser usados, transportados ou dançados pelo espectador que se torna participante, suporte e também intérprete do trabalho.

O filme de Ivan Cardoso “Heliorama” é exibido como obra na exposição.


Texto curatorial

Hélio Oiticica é um dos artistas mais radicais do século 20. Seus experimentos renovaram meios e suportes como o desenho, a pintura, a escultura, o objeto, o filme e o vídeo, criando novas formas e mídias. Caracterizada pelo rigor conceitual, com origens arraigadas na linguagem do construtivismo europeu, do concretismo e da abstração geométrica, a produção de Oiticica é extremamente vital, sensual, sensorial, comprometida com a experiência, com a participação e com o corpo (tanto do artista quanto dos espectadores-participantes).

A mostra Hélio Oiticica: a dança na minha experiência toma emprestado o título de um texto do artista publicado em 1965 e tem como ponto de partida o Parangolé, um de seus trabalhos mais radicais. Partir dessa obra-chave implica examinar a trajetória de Oiticica de trás para a frente, identificando elementos rítmicos, coreográficos, dançantes e performativos nos trabalhos anteriores — dos Metaesquemas aos Relevos espaciais, Núcleos, Penetráveis, Bólides e, por fim, os Parangolés. Embora a dança tome de fato corpo no trabalho do artista apenas com os Parangolés, essas características já podem ser observadas em seus primeiros trabalhos, que parecem ser mais formais ou estáticos.

Em 1964, Oiticica passou a frequentar a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, da qual se tornou passista. Essa experiência constituiu um divisor de águas na vida e na obra do artista, que aprofundou suas reflexões sobre experiências estéticas para além das belas-artes, incorporando elementos corporais e sensoriais, populares e vernaculares a seu trabalho por meio da dança, da coreografia, da música, do ritmo e do corpo.

Foi nesse momento crucial que o artista começou a produzir os Parangolés, uma espécie de capa ou vestimenta fluida feita de tecido, plástico ou papel, para ser usada, experimentada, vivida e dançada pelo espectador-participante. 

Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, e Tomás Toledo, curador-chefe, MASP, curadores da exposição


OBRAS EM EXPOSIÇÃO

Metaesquemas, 1956-1958
Relevos espaciais, 1959-1960
Núcleos
, 1960-1966
Penetráveis, 1961-1980
Bólides, 1963-1979
Parangolés, 1964-1979

CATÁLOGO
Editado pelos curadores Adriano Pedrosa e Tomás Toledo, o catálogo ilustrado traz ensaios de Adrian Anagnost, André Lepecki, Cristina Ricupero, Evan Moffitt, Fernanda Lopes, Fernando Cocchiarale, Sergio Delgado Moya, Tania Rivera e Vivian Crockett, além de Pedrosa e Toledo. A publicação inclui ainda nota biográfica de Fernanda Lopes e um extenso material documental, entre fotografias e escritos do artista, que tinha o hábito de registrar suas reflexões sobre a arte e sua produção.

Links relacionados
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