Atitude, prática, recepção
No texto programático para a Nova objetividade brasileira (1967), Hélio Oiticica mapeia atitudes e práticas que refazem a relação entre a arte e suas formas de presença, alinhando artistas de linguagens extremamente diversas. Alguns dos elementos comuns, como a negação do objeto, a participação dos espectadores e a tomada de posição sobre questões políticas, resultam em censura por parte da ditadura, em recepções polêmicas e rejeições.
Se em 1965 os passistas da Mangueira, convidados por Oiticica como parte de sua contribuição à Opinião 65, são impedidos de se apresentar dentro do museu, em 1969 a instância de repressão é o Estado: o exército impede a exibição da representação brasileira para a sexta Bienal de Paris, devido às obras de Antonio Manuel e Evandro Teixeira.
Apesar dessas reações, as experimentações continuam. Em 1969 o Salão da bússola, com formato e regulamento convencionais, consolida uma nova geração de artistas, como Cildo Meireles e Wanda Pimentel. Alguns deles escolhem enquadrar seu trabalho na categoria etc., evitando formatos tradicionais. No 19º Salão nacional de arte moderna, em 1970, a proposta de Antonio Manuel é rejeitada pelo júri, o que não o impede de apresentar, sem autorização, O corpo é a obra no dia de abertura.
Eventos organizados por artistas dentro e fora do museu propõem práticas coletivas, efêmeras e desmaterializadas. Entre eles, Apocalipopótese, em 1968, comandado por Oiticica; Orgamurbana, organizado em 1970 por Luiz Otávio Pimentel e Flamarion; e Ex-posição, conceitualizado por Carlos Vergara, também afetado pela censura. O incêndio de 1978 interrompe o papel do MAM Rio de local de experimentação e também afeta seu funcionamento como palco de conflito.