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A geometria como linguagem

Se em seu início o MAM Rio se associa a um movimento moderno já em curso, é com os movimentos abstratos, em sua vertente geométrica, que alcança pela primeira vez o objetivo de contribuir diretamente na criação. 

A abstração geométrica aparece em 1953 na exposição Grupo de artistas modernos argentinos (1953), com obras de Eno Iommi e Tomás Maldonado, entre outros, associados a um impulso construtivo e racionalista. Nas palavras do crítico Jorge Romero Brest, os artistas na exposição “criam símbolos artísticos de sentido tempo-espacial, na necessária correlação com o mundo da geometria”. Dois anos depois, acontece a exposição dedicada ao Grupo Frente, cujos integrantes estão envolvidos com o programa pedagógico do museu. 

A partir de então, o MAM Rio é palco para a construção de alianças que propõem definições de arte partindo da geometria e de novas concepções sobre sua relação com o mundo. A exposição dedicada ao concretismo em 1960 é precedida, em 1959, pela 1ª Exposição neoconcreta, que denuncia em seu catálogo a “perigosa exacerbação racionalista” da arte concreta, em um manifesto assinado por Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanudis, em que os artistas afirmam que a obra de arte é um quasi-corpus: que só existe por meio da relação com o público.

Em diálogo com essas posições, uma multiplicidade de artistas adota linguagens abstratas geométricas, em alguns casos aderindo aos movimentos e em outros mantendo um distanciamento deles. Em 1977, a exposição Projeto construtivo brasileiro na arte destaca a especificidade do construtivismo no Brasil como fenômeno local, reconhecendo “uma vontade construtora” relacionada ao projeto fundador do museu.


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