O retorno ao Brasil em 1966 marca o início da prática escultórica de Rubem Valentim. Após a experiência em Roma, o artista consolida sua linguagem ao incorporar peças tridimensionais à produção: os relevos emblema e os objetos emblemáticos.
No ano seguinte, muda-se para Brasília, convidado a ensinar no Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília. Desencorajado pelas demandas burocráticas do cargo, abandona a profissão de professor após um ano, mas continua na capital.
Pela primeira vez em anos, Valentim rompe com a simetria e propõe um equilíbrio assimétrico: o eixo central desaparece e, como consequência, a forma se movimenta frontal e transversalmente e o espaço se torna ambíguo, com um vaivém de planos que ora se aproximam e ora se afastam.
O período em Brasília marca a síntese de sua obra, que culmina na criação do Alfabeto Kitônico, um conjunto de 15 símbolos que podem ser combinados com outros para criar novos símbolos. Valentim os caracteriza como “logotipos poéticos da cultura afro-brasileira”.
Em 1976, escreve o Manifesto ainda que tardio, texto em que teoriza a própria produção, nomeada “riscadura brasileira”, e a caracteriza como uma “autêntica linguagem brasileira de arte”. Em seu texto, Valentim se refere à arte como “arma poética contra a violência” e também “um exercício à liberdade contra as forças repressivas”.
A insistência na dimensão espacial marca sua participação na 14ª Bienal de São Paulo, quando apresenta a instalação Templo de Oxalá, de 1977.