Rubem Valentim nasceu em Salvador, em 1922, onde estudou odontologia e jornalismo. Em depoimentos, conta que começou a desenvolver sua prática artística ainda jovem, em meados dos anos 1940, inspirado por elementos cotidianos: a forma dos brinquedos, das pipas, as cerâmicas comercializadas na feira histórica Água de Meninos ou os presépios que montava com sua mãe. Observava formas que encontrava na arquitetura das casas, nos objetos de cultos ritualísticos, como o candomblé, atento ao contraste entre as referências africanas e europeias presentes na cidade.
Essas primeiras experiências, combinadas com referências canônicas à época – como Paul Cézanne, Marc Chagall e o Cubismo –, deram ao artista um conjunto de elementos importantes para construir uma linguagem artística com aspectos próprios.
Nesta primeira fase de sua produção, Valentim trabalha com temas e gêneros tradicionais, como a paisagem, a natureza morta e a cultura popular. Em 1949, se apresenta como pintor no 1º Salão Baiano de Artes e, a partir daí, exibe seus trabalhos, neste momento figurativos.
Em 1954, tem sua primeira exposição individual em Salvador. Em 1955, participa pela primeira vez da Bienal de São Paulo. Pouco tempo depois, muda-se para o Rio de Janeiro, onde entra em contato com outras referências culturais, como a umbanda, e começa a se aproximar de uma linguagem mais geométrica.