Criada em 1977 e apresentada pela primeira vez na 14ª Bienal de São Paulo do mesmo ano, a instalação Templo de Oxalá pode ser entendida como uma culminância da obra de Rubem Valentim. Os primeiros indícios deste trabalho aparecem ainda na década anterior, quando o artista experimentava em seus cadernos as composições com possíveis objetos escultóricos.
Em sua primeira exibição, estas 20 estruturas totêmicas completamente brancas, cor sagrada do orixá Oxalá, foram apresentadas junto a um grande mural em madeira composto por 14 relevos brancos sobre um fundo azul. Após a Bienal, os relevos foram pintados de branco e instalados definitivamente no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
O Templo de Oxalá apresenta um convite à imersão em um ambiente que remete ao espaço religioso afro-brasileiro. Por meio da linguagem plástico-visual-signográfica que Valentim descreve no manifesto de 1976, a obra evidencia “valores míticos profundos de uma cultura afro-brasileira (mestiça-animista-fetichista)”.