Rubem Valentim é um dos artistas mais relevantes da arte brasileira no século 20. Em mais de quatro décadas de criação, desenvolveu uma linguagem plástico-visual-signográfica de vocação universal, criada com composições geométricas e combinações cromáticas em diálogo com as matrizes culturais brasileiras, sobretudo africanas e indígenas.
A originalidade de sua obra é resultado de uma oposição a definições restritas da cultura brasileira. Em contraste com visões dominantes que limitavam a prática artística a uma escolha entre experiência local e ambição global, Valentim procurou evidenciar no local a dimensão universal que o transcende, sem anulá-lo. E assim cria uma síntese original na qual a diferença, ordem e significado convivem.
Esta síntese opera simultaneamente em termos semânticos, formais e cromáticos. Em 1976, Valentim relata a busca por uma ordem sensível em seu Manifesto ainda que tardio. “A geometria é um meio. Procuro a claridade, a luz da luz”, diz. Ao refletir sobre seu trabalho, identifica uma organização da experiência: “[…] sou um indivíduo tremendamente inquieto e substancialmente emotivo. Talvez precisamente por isso busco, ávido, na linguagem plástica visual que uso, uma ordem sensível, contida, estruturada”.
A exposição acompanha a produção do artista seguindo os deslocamentos geográficos que contribuíram direta ou indiretamente para o desenvolvimento de sua linguagem. A partir de Salvador, sua cidade natal, continua pelo Rio de Janeiro, Roma, Brasília e São Paulo – locais onde viveu, revisou procedimentos, ampliou repertório e consolidou sua prática. Por fim, o Templo de Oxalá, obra que representa, em forma, tema e escala, uma culminação de seu projeto artístico.
Rubem Valentim: a ordem do sensível conta com aproximadamente 180 obras de importantes coleções institucionais e privadas de diferentes regiões do Brasil e foi desenvolvida em colaboração com o Museu de Arte Moderna da Bahia e com o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.
