Boas-vindas ao MAM Rio. Hoje vamos conhecer mais sobre o paisagismo e a arquitetura que compõem o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
O Parque do Flamengo foi concebido por Lota de Macedo Soares, com projeto urbanístico de Affonso Eduardo Reidy e projeto paisagístico de Roberto Burle Marx.
Foi inaugurado em 1965, mesmo ano em que foi tombado pelo IPHAN, e proclamado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, como parte da paisagem carioca em 2012.
Os jardins do MAM Rio, localizado no Parque e concebidos por Burle Marx como parte do complexo arquitetural desenhado por Reidy, foram inaugurados em 1958. Passeando por estes jardins, em diálogo com a arquitetura do MAM Rio, vamos nos aprofundar nas escolhas estéticas que contribuíram para a concepção de identidade moderna e suas relações com o território e cultura da cidade.
A inauguração do parque, que marca a comemoração do 4o Centenário da cidade, revela também o desejo pela construção de um projeto moderno que traz consigo o interesse pela construção de uma cidade na qual se garanta um espaço de lazer, evidenciando também as negociações territoriais e sociais que marcam a história da cidade do Rio de Janeiro.
O projeto do Parque envolveu o desmonte parcial do Morro de Santo Antônio e o aterramento da orla. No extremo norte desse grande espaço de 120 hectares que chega até o Morro da Viúva foram alocados 40 mil metros aos jardins do MAM Rio.
Roberto Burle Marx foi artista visual e paisagista, e utilizava em seus projetos recursos visuais próprios do abstracionismo: a composição geométrica e as formas orgânicas e curvilíneas dão forma às plantas de seus jardins, e podem se assemelhar à experiência de observar uma pintura do artista.
As figuras abstratas no terreno são compostas por diferentes espécies botânicas. Para o projeto do Parque do Flamengo foram reunidas em torno de 240 espécies. Enquanto passeamos, podemos encontrar espécies nativas da flora brasileira como o abricó-de-macaco e o mulungu.
Por meio de uma seleção cuidadosa de plantas, Roberto Burle Marx trouxe para os jardins do MAM Rio e para o Parque do Aterro aspectos que tornariam-se, posteriormente, elementos estéticos da tropicalidade moderna brasileira.
Diante das condições climáticas do Rio de Janeiro, o paisagista reuniu espécies de diferentes origens do mundo, como a pata-de-elefante, nativa do México, o jambeiro e a palmeira do amor, de origem da Índia e Sri Lanka.
Não apenas por meio das vanguardas artísticas da primeira metade do século 20 no Brasil e seus movimentos de ruptura com as tradições européias, também por meio do paisagismo de Burle Marx, podemos perceber o desejo pela criação de uma ideia de brasilidade.
O paisagista recusa em seus jardins os modelos simétricos e esquemas formais típicos de jardins clássicos da Europa, e privilegia a diversidade de formas, texturas, níveis, densidades e cores que trazem ao parque movimento e uma experiência sinestésica para as pessoas que passeiam por aqui.
Nos jardins do MAM Rio, a água também é um elemento essencial, que inclui três espelhos d’água, com pedras e espécies aquáticas que acompanham os chafarizes.
Para além das plantas que compõem a visualidade do parque, os jardins do MAM apresentam também características próprias de sua identidade. O jardim de esculturas, conhecido também como “jardim de pedras”, inclui vários conjuntos organizados em módulos horizontais, compostos por grandes pedras que criam uma relação de contraste e semelhança com as texturas e materialidades presentes na arquitetura do museu.
As esculturas verticais em forma de pilares geométricos priorizam a aparência natural das pedras e compartilham o espaço com esculturas de Franz Weissmann e Amilcar de Castro, junto às árvores, tendo em frente o horizonte da Baía de Guanabara.
O “jardim de ondas” apresenta um padrão que referência um desenho de piso de origem português, no largo do Rossio em Lisboa, feito em pedras pretas e brancas. As ondas que ficaram conhecidas no calçadão da praia de Copacabana, foram projetadas aqui com o contraste entre grama verde-clara e verde-escura.
Ao mesmo tempo que se construíam os jardins, se completava a primeira parte do prédio que seria a nova sede do MAM Rio. Em 1958, é finalizada a construção do Bloco Escola. A inauguração contou com a presença do Presidente da República, Juscelino Kubitschek, que plantou a primeira palmeira imperial nos jardins do museu. Naquele momento, o Rio de Janeiro ainda era a capital do Brasil.
O projeto de museu desenvolvido por Affonso Reidy junto à engenheira Carmen Portinho incluiu no Bloco Escola a utilização de cobogós, uma estrutura de tijolo vazado, disposto em um padrão geométrico de repetições. A parede de 34,20 metros de extensão não havia sido construída até o momento da inauguração do Bloco Escola, mas foi finalizada no primeiro semestre daquele ano.
Com a inauguração do Bloco de Exposições, em 1967, ficaram evidentes as decisões estéticas que buscavam manter a aparência natural dos materiais utilizados. O concreto armado, recorrente na arquitetura civil, apresenta não apenas uma função estrutural, mas uma função estética. Sua textura e as variações de cinza conferem ao prédio uma aparência bruta, que dispensa ornamentos e decorações, e prioriza a funcionalidade e a geometria das formas, aspectos próprios da arquitetura moderna.
As janelas são um dos elementos fundamentais da arquitetura do MAM Rio, cumprindo um papel tanto conceitual como funcional. A iluminação natural no espaço expositivo e o contato com a vista criam uma constante relação entre dentro e fora. Por vezes, no Bloco Expositivo, traz a aparência de um espaço sem paredes. Reidy projetou as janelas de forma a integrar o ambiente interno com o futuro Parque do Flamengo, uma das paisagens mais emblemáticas do Rio de Janeiro, o que permite que os visitantes tenham uma experiência de continuidade com a natureza ao redor e sua arquitetura. O edifício e sua horizontalidade, em contraposição às construções da cidade, também refletem o desejo de Reidy em criar uma integração do edifício à paisagem.
A interação com o parque e com as pessoas que circulam pelas áreas externas é um das principais dinâmicas do edifício. Ao caminhar pela área externa do museu, encontramos outra característica emblemática do projeto, os 14 pilotis, que formam uma extensão de 130 metros. As colunas possuem uma função estrutural, funcionando como um exoesqueleto que permite a suspensão do segundo e do terceiro pavimento.
Esta suspensão possibilita o livre fluxo de pessoas no vão central na área externa e no pavimento térreo. A fluidez no espaço reflete a intenção de tornar o edifício um espaço integrado de circulação de pessoas e das atividades que ocorrem nas áreas do museu.
Esperamos que este passeio tenha proporcionado uma nova experiência e percepção do museu para você. Agradecemos por nos acompanhar neste percurso, e lhe convidamos a voltar sempre para participar das atividades e exposições. Viva o MAM Rio.