6 de abril de 2021

AniMAM – Hélio Oiticica

Tamborim com sambista em verde e rosa, em alusão à Mangueira

Imagem de fundo remete aos Metaesquemas, série de Oiticica

O quarto filme da série de animações AniMAM apresenta ao público de primeira infância (0 a 6 anos) o artista carioca Hélio Oiticica (1937-1980). Os desenhos e a animação são de Ambrósio Pentú. A música é de Manu da Cuíca e Marina Iris. Entre os trabalhos de Hélio Oiticica mostrados nos desenhos de animação estão os Metaesquemas, os Parangolés e os Bólides. Na letra do samba são ainda descritos os Núcleos (Um quadrado do lado do outro, Todos eles fora do chão) e os Penetráveis (Numa caixa que o tio fez, Entrou um, entrou dois, entrou três; Nunca ficava apertado, Cabia o mundo de uma só vez).

O filme explora a relação de Hélio Oiticica com a escola de samba Estação Primeira de Mangueira, da qual ele foi passista nos anos 1960. Sua relação com o morro, integrantes da comunidade, a escola e o samba teria grande influência em sua obra. Nas palavras da artista Lygia Pape: “Na Mangueira, Apolo se transformou em Dionísio. Hélio entendeu a dimensão da vivência e vislumbrou o corpo e a dança como possibilidades para a arte, para o mundo como museu”, disse em entrevista à jornalista Daniela Name, em 2000.

Hélio Oiticica: a dança na minha experiência foi o nome da exposição, curada por Adriano Pedrosa e Tomás Toledo, realizada em parceria pelo MASP e pelo MAM Rio. Aberta primeiramente no museu paulistano, a exposição ficou em cartaz no MAM Rio entre dezembro de 2020 e março de 2021.

A relação de Hélio Oiticica com o MAM Rio teve início quando o artista era adolescente e frequentava as aulas de Ivan Serpa no museu. Várias de suas obras mais importantes, como os Parangolés e a Tropicália, foram mostradas primeiramente no MAM Rio.

No desenho de Pentú, criança com capa brinca com caixa, em referência ao Parangolé e à série Bólide, de Hélio Oiticica

Acima, desenhos de Ambrósio Pentú para o filme de animação sobre Hélio Oiticica, da série AniMAM. À esquerda, Hélio Oiticica com passistas da escola de samba Estação Primeira de Mangueira e visitantes com Parangolés, na abertura da exposição Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1965. Foto Desdémone Bardin

Confetes e serpentinas no AniMAM sobre Hélio Oiticica

Manu da Cuíca 

Manuela Oiticica ou Manu da Cuíca é escritora e compositora, graduada em letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Tem cerca de 20 músicas gravadas, um musical encenado, premiações em dois festivais e oito textos, entre contos e crônicas, publicados em coletâneas. Escreve para blocos de Carnaval e escola de samba. Foi uma das compositoras dos sambas-enredo da Estação Primeira de Mangueira em 2019 e em 2020. “História para ninar gente grande”, de 2019, foi premiado com Estandarte de Ouro e gravado por Maria Bethânia e Leci Brandão. É autora de todas as letras do disco “Rueira” (2017), de Marina Iris, e também da música “Pra matar preconceito”, bastante executada em rodas de samba da cidade do Rio de Janeiro. É cria do bar Bip-Bip, filha de uma meia-ponta (bailarina) com um ponta-de-lança (jogador de futebol que joga na posição centroavante).

Marina Iris 

Marina Iris é uma cantora revelação da nova geração da MPB e do samba. Negra, carioca, compositora e militante, adotou o samba não somente como gênero musical, mas também como modo de vida.  Com 10 anos de carreira e 36 anos de idade, a cantora está em seu terceiro disco. O primeiro, “Marina Iris” (2014), foi produzido por Thiago da Serrinha e Julio Florindo, lançado no Teatro Rival BR, contou com canções de autoria de compositores da nova geração do samba e regravações de Aldir Blanc, Moacyr Luz, Gisa Nogueira e Paulo Cesar Feital. O segundo, “Rueira” (2018), foi lançado pela gravadora Biscoito Fino, com participações de Zélia Duncan, Banda do Síndico e Julio Estrela. Traz onze canções da letrista e escritora Manu da Cuíca e do melodista e arranjador Rodrigo Lessa, e a levou a turnê em diversos países da Europa.  Seu terceiro álbum, “Voz Bandeira” (2020), dedicado a Marielle Franco, é costurado pelo cruzamento de música e poesia. Ana Costa assina a produção musical do álbum. É um disco de muitas vozes – Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, Elisa Lucinda, Fabiana Cozza, Marcelle Motta, Leci Brandão, Carolina Maria de Jesus, entre outras. Participou do 1º Festival Toda Canção – TOCA, no Rio de Janeiro. É idealizadora e diretora artística do projeto de resistência feminina preta ÉPreta, lançado em 2017, com o qual foi finalista no Prêmio da Música Brasileira em 2018, na categoria “melhor grupo de samba”. Também em 2018, participou da gravação de DVD em que a Jazz Sinfônica Brasil homenageou o sambista Moacyr Luz, no Memorial da América Latina.

Ambrósio Pentú

Ambrósio é ilustrador, animador e captador de som direto. Na música, é pifeiro, de fazença e tocada, atendendo por Maguim do Pife. Pife é um outro nome para pífano, um tipo de flauta de madeira, sem chaves. Apaixonado por animação frame a frame e pife, adora ensinar ambos. Acredita na música e no cinema como ferramentas de resistência.

Porta-bandeira vestida de verde e rosa dança com bandeira que traz um Metaesquema de Hélio Oiticica, no desenho animado de Pentú


Versos do samba


Tio Helio fez uma casa
Que é uma grande invenção
Um quadrado do lado do outro
Todos eles fora do chão
No alto da casa, uma porta-bandeira
Girando feito peão

Traca-traca-traca-taca-tá
Na roda, a obra gira
Gira-girará

Traca-traca-traca-tum-tum-tum
A obra gira a roda, a roda é baticum
Traca-traca-traca-tum-tum-tum
Na roda e na obra sempre cabe mais um

Enrola um lençol na gravata
E bate na lata de atum

Tio Hélio nos convidou
Pro samba do Parangolé
O dedinho da mão é o pincel
E a sola do pé é…é o papel

Bate o
Pé queré queté
Pé queré queté
Pé queré queté
Queré queté
Queré queté

Numa caixa que o tio fez
Entrou um, entrou dois, entrou três
Nunca ficava apertado
Cabia o mundo de uma só vez

Traca-traca-traca-tum-tum-tum
A festa ficava animada
Era o maior zum-zum-zum

Tum tum-tum
Tum tum-tum
Era o maior zum-zum-zum

Ficha técnica do AniMAM Hélio Oiticica

Desenhos e animação: Ambrósio Pentú
Música: Manu da Cuíca e Marina Iris
Voz: Marina Iris


Links relacionados

Uma biografia do artista Hélio Oicitica.
Sobre a exposição Hélio Oiticica: a dança na minha experiência, que aconteceu no MAM Rio.
PDF de um artigo sobre o samba-enredo História para ninar gente grande, do qual Manu da Cuíca é coautora.


Outras animações da série AniMAM:
Wanda Pimentel
Maria Martins
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro